PORTÃO DO INFERNO 07.11.2026 | 17h09

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Reprodução
O deputado estadual Valdir Barranco (PT) criticou a decisão do governo de Mato Grosso de insistir na construção de um túnel no Portão do Inferno, na MT-251, e defendeu que o Estado discuta alternativas com os órgãos ambientais. Para o parlamentar, a proposta atual desconsidera orientações científicas sobre as condições geológicas da região. Ele também afirmou que o Executivo precisa apresentar um novo projeto para solucionar os problemas no trecho.
O trecho foi interditado em dezembro de 2023 diante do risco de desmoronamento dos paredões. Desde então, o local passa por frequentes bloqueios para garantir segurança de quem passa pela rodovia. A fim de evitar que partes das rochas atinjam veículos, uma tela de contenção foi colocada até que uma solução definitiva seja tomada.
Em entrevista na quarta-feira (4), Barranco chamou de “mentira” uma declaração do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) sobre a condução das obras e contestou a justificativa de que a falta de autorização ambiental teria impedido o avanço das intervenções. O parlamentar também afirmou que o Estado foi responsável pelo Parque Nacional da Chapada dos Guimarães durante um longo período, mas não realizou as obras necessárias.
Segundo o deputado, depois que a área voltou à responsabilidade da União, foram realizadas reuniões com representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Brasília. Ele afirmou que, após a entrega da documentação que estava pendente, o órgão licenciou e autorizou a obra. No entanto, a intervenção não foi executada porque o governo estadual insistiu em uma solução que, segundo Barranco, já havia sido considerada inviável por especialistas.
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“Eles não fizeram a obra. O Mauro não fez a obra. Ele começou na teimosia dele de não ouvir a ciência, que já tinha dito que era impossível fazer a obra da forma como ele queria, e, quando ele tentou fazer, não conseguiu. Fez licitação, gastou dinheiro, está lá”, declarou.
Barranco também afirmou que não há um novo projeto protocolado no Ibama ou no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Como alternativa, defendeu a criação de um grupo de trabalho com a participação dos dois órgãos e do Governo de Mato Grosso para discutir uma solução tecnicamente viável.
“Nós estivemos com o Ibama e o ICMBio. Não há nenhum projeto novo protocolado, nenhuma proposta nova. Então, o que o governo vai ter que fazer? Apresentar a proposta, ser protocolado para ter os trâmites e, com certeza, o governo federal vai avançar nisso”, disse.
O parlamentar descartou a construção de um túnel e o retaludamento, intervenção que prevê cortes no maciço rochoso para estabilizar a encosta. Segundo ele, a construção de uma ponte suspensa é uma possibilidade que já foi indicada por cientistas e poderia contribuir também para o turismo na região.
“Não adianta achar que ele vai fazer o retaludamento, que é o que ele queria, que não vai fazer também. Então, tem que pensar em uma proposta. A ponte suspensa é algo que já foi apontado como solução pelos cientistas. É algo que eu acho que poderia trazer um incremento também muito mais bonito e de atração turística. Então, eu acho que é pensar o que é possível fazer, ouvindo os cientistas, e aquilo que realmente for viável vai ter o apoio do governo”, finalizou.
Nova licitação
No último dia 22 de outubro, a Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) publicou um novo edital para a construção do túnel no Portão do Inferno. O projeto prevê uma estrutura de 170 metros de extensão, com pista de concreto e acostamento. Considerando os acessos, a obra terá 513 metros e custo estimado em R$ 72,5 milhões.
As empresas interessadas poderão apresentar propostas até as 8h30 de 28 de janeiro de 2027. A contratação será integrada, o que significa que a vencedora ficará responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo e pela execução da obra.
Esta é a segunda tentativa de contratação. A primeira licitação, realizada em 2026, terminou sem vencedor porque a única empresa participante foi inabilitada por não cumprir os requisitos econômico-financeiros previstos no edital.
O governo estadual sustenta que o túnel é a solução definitiva para os problemas de segurança no trecho, que registra quedas e movimentações de blocos rochosos. A Sinfra afirma também que a alternativa oferece maior segurança permanente, menor impacto ambiental e paisagístico e não exige a interrupção do trânsito durante a execução.
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