deu em a gazeta 07.11.2026 | 07h00

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Karen Malagoli/ALMT
Prisão do procurador da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, por suposto envolvimento em um esquema de desvio de dinheiro público no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), coloca a Casa de Leis em uma posição desconfortável. Mesmo em função técnica e sem grande exposição pública ou protagonismo, ele é o terceiro procurador de carreira da instituição que acaba atrás das grades em pouco mais de um ano, por motivos distintos, em uma sequência de episódios que colocam em xeque a reputação do Legislativo estadual junto à sociedade.
Grhegory foi preso preventivamente na última semana, durante a Operação Tomada de Contas, deflagrada pela Polícia Federal para investigar um esquema de desvio de recursos públicos no TCE-MT. Segundo as investigações, ele teria recebido mais de R$ 32,3 milhões em menos de dez meses, por meio de pagamentos que não passaram pela folha oficial. Apontado como principal destinatário individual dos valores suspeitos, o procurador teria atuado como operador da organização criminosa. Quase todo o montante foi distribuído em 179 ordens bancárias avulsas, pulverizadas em contas de nove instituições financeiras.
A PF também identificou uma escalada patrimonial expressiva: os bens atribuídos a ele passaram de R$ 1,8 milhão, em janeiro de 2025, para R$ 7,61 milhões em outubro do mesmo ano. Duas empresas ligadas ao investigado também entraram no radar da apuração por possível utilização na ocultação dos recursos.
Outro procurador que causou problemas para a imagem institucional da Assembleia foi Benedito César Corrêa de Carvalho, preso em maio de 2025, em Cuiabá, após ameaçar uma adolescente de 16 anos contratada para um programa sexual.
Segundo a Polícia Militar, a jovem ficou trancada em um banheiro e pediu socorro depois de ser ameaçada pelo procurador, que teria feito uso de cocaína e utilizado uma arma de fogo para intimidá-la. No apartamento, os policiais encontraram resquícios da droga e uma faca. O episódio não foi isolado: Benedito já havia sido preso em 2023, 2017 e 2011 por ocorrências semelhantes, envolvendo ameaças e cárcere privado de garotas de programa. Em um dos casos, chegou a ameaçar trocar tiros com policiais que atenderam à ocorrência.
Um dos casos mais emblemáticos envolve o procurador Luiz Eduardo Figueiredo Rocha Silva, preso pelo assassinato de Ney Müller Alves Pereira, homem em situação de rua morto a tiros em abril de 2025, nas proximidades da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Segundo a denúncia do Ministério Público, o homicídio, que foi registrado por câmeras de segurança, teria sido motivado por vingança e cometido de forma a dificultar a defesa da vítima. Luiz Eduardo estava em um carro de luxo quando se aproximou de Ney, chamou a vítima e disparou contra ela. O ex-procurador foi pronunciado por homicídio qualificado.
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