'vai ter que ir por voto' 30.07.2026 | 16h10

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João Vieira/ GD
Sob clima de forte tensão política e racha interno, o senador Jayme Campos (União Brasil) chegou confiante para a convenção estadual da legenda e subiu o tom contra o Palácio Paiaguás. Único filiado inscrito no partido para disputar a vaga ao governo do estado, o parlamentar criticou duramente a atual gestão e questionou a necessidade de seu nome ter de se submeter a uma votação entre os convencionais, argumentando que a definição deveria ocorrer por aclamação.
"Em que pese aqui que eu quero ressaltar aos senhores da imprensa, essa convenção é pela primeira vez que eu vi na história contemporânea da política brasileira em que apenas um candidato quis vir aqui se inscrever para ser candidato a governador. Infelizmente vai ter que ir por voto. Eu imagino que teria que ser por aclamação", criticou o senador na chegada ao encontro partidário.
Apesar da objeção às regras adotadas pela executiva, o cacique evitou judicializar o pleito interno e sustentou que vai sair vitorioso das urnas internas. "Todavia, respeitando com certeza a vontade da direção do partido hoje, para mostrar que eu faço política com altivez, com grandeza, vamos ao voto. E tenho a certeza de que eu vou ganhar essa convenção e vamos ganhar o governo do Estado de Mato Grosso", declarou.
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Durante a entrevista, o senador marcou oposição ao grupo político que comanda o Estado, moldando um discurso focado nas camadas de menor renda e atacando o alinhamento governamental com o empresariado. "Não [será] um governo que vai defender o poder econômico deste Estado, não um governo que vai fazer barganha às caladas da noite, mas sim um governador que vem para trabalhar para a maioria da sociedade mato-grossense, sobretudo os menos afortunados, daquele cidadão que precisa com certeza de um governador de mão firme, de um governador que seja humano", alfinetou Jayme.
Ao se defender do desgaste partidário, o parlamentar relembrou sua trajetória histórica na sigla e cobrou fidelidade dos correligionários. "Iniciei nesse partido em 1980. Eu tenho uma história, fundei o PDS em Mato Grosso, PFL, DEM e hoje União Brasil. De maneira que todo mundo conhece a história de Jayme Campos. Eu sou eu. Quem vota em Jayme Campos vota com muita convicção e sabe perfeitamente que eu sou um companheiro leal", pontuou.
Ele também minimizou denúncias sobre alterações de última hora na lista de votantes e possíveis manobras nos bastidores para prejudicar sua candidatura. "Poderia até ter um questionamento jurídico (...), mas eu não vou entrar com uma questão de ódio, não vou buscar nenhum desse entendimento. Eu tô tão confiante que essas pessoas que estão aqui hoje vieram para votar numa pessoa que representa de fato o meu partido", ressaltou.
A postura bélica de Jayme Campos expõe o ápice da crise vivida pelo União Brasil em Mato Grosso, coberta detalhadamente pelos bastidores do jornalismo político local e pelo portal Gazeta Digital. A disputa reflete um ruído direto entre o senador e a ala comandada pelo ex-governador Mauro Mendes (União).
Enquanto Jayme insiste em encabeçar uma chapa própria e pura do União Brasil ao Governo do Estado, Mendes atua para que o partido abra mão da candidatura majoritária para apoiar o governador Otaviano Pivetta (Republicanos) no projeto de reeleição, consolidação do grupo político que esteve no poder nos últimos anos.
O embate provocou movimentações veladas nos dias anteriores à convenção, marcadas por jantares e articulações paralelas com delegados partidários para esvaziar a pré-candidatura do senador.
Questionado sobre os acordos de bastidores operados pela ala de Mauro Mendes e Pivetta, Jayme tratou de se distanciar das manobras. "Falar pelo Mauro, falar pelo Pivetta, eu não tenho essa informação. Se teve ontem articulação, se não teve, é do lado de lá. Eu falo por mim, Jayme Campos, e pelos meus amigos que estão me apoiando. Quem veio aqui, veio para votar em Jayme Campos", cravou.
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