DEU EM A GAZETA 18.04.2026 | 07h00

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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
Há exatamente dez anos, em 17 de abril de 2016, o Brasil passava pelo seu segundo processo de impeachment desde a sua redemocratização. O motivo seria o fato de sua gestão ter praticado as chamadas pedaladas fiscais - Manobra contábil feita pelo Poder Executivo para forjar o equilíbrio entre receitas e despesas nas contas públicas.
A votação expressiva na Câmara dos Deputados para afastar a primeira mulher eleita presidente do Brasil, Dilma Rousseff (PT), foi recheada de machismo, discurso de ódio e saudação a torturadores, como o de Jair Bolsonaro, que dedicou o seu voto a Carlos Alberto Brilhante Ustra, que foi torturador da petista durante a ditadura militar.
Nesse contexto, a bancada de Mato Grosso contribuiu com o afastamento de Dilma, dando seis votos favoráveis para tirá-la do cargo, e, apenas dois votos contra. Porém, ali se deu o inicio ao processo de retirada de uma presidente eleita democraticamente por maioria dos votos, e que se concretizou no dia 31 de agosto daquele ano.
Hoje, o ex-deputado federal Nilson Leitão, que na época era líder do PSDB na Câmara, principal partido da oposição na época, afirma que a denúncia de pedalada foi apenas o mote para uma ação que, segundo ele, ocorreu por conta do contexto geral do país.
Não foi a pedalada só. Foi todo o conjunto. A Lava Jato, o Mensalão, a crise econômica, o desemprego. Tudo isso reverberou para que tomássemos uma decisão política que foi impeachment, justificou.
Leitão ainda afirma que o impeachment de Dilma não foi o que intensificou a polarização no país. A polarização existia. Tinha desde lá ideias antagônicas. Talvez o que causou o impeachment foi debate desrespeitoso, mal educado que temos hoje. Mas não se pode passar pano para Dilma e tratá-la como vítima. Ela foi impeachmada por uma série de consequências, completou.
O ex-deputado federal Ságuas Moraes era vice-líder do PT na Câmara Federal. Segundo ele, o processo de impeachment contra Dilma foi orquestrado pelos derrotados de 2014, o PSDB e então presidenciável Aécio Neves.
Eles trabalharam para isso desde o início. E com o apoio da direita e dos movimentos insurgentes da extrema-direita acabaram ganhando força e impuseram essa narrativa de pedalada fiscal e um ordenamento jurídico que era inexistente, lembra.
Segundo ele, o presidente da Câmara na época, Eduardo Cunha (MDB), também atuou na derrubada de Dilma sonhando em escapar das investigações de corrupção contra ele.
O impeachment trouxe o governo Temer que preparou o país para a vitória de Bolsonaro que era o nome da extrema-direita. E seu governo foi um desastre em todos os sentidos. Na economia, na condução do enfrentamento à pandemia, e para a política com o extremismo, polarização e a tentativa de autogolpe para permanecer no poder, aponta.
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