IMPEACHMENT DE MINISTRO DO STF 28.07.2026 | 12h26

pablo@gazetadigital.com.br
Assessoria/Norte Show
De olho em uma das vagas ao Senado por Mato Grosso nas eleições deste ano, o ex-governador Mauro Mendes (União) decidiu recalibrar o discurso e adotar um tom bem mais cauteloso em relação à ofensiva contra o Supremo Tribunal Federal (STF). Em aceno de recuo, Mendes deu declarações em que relativiza o apoio ao pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, uma das principais pautas impostas pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para conceder avais políticos na disputa eleitoral no estado.
Se antes o pré-candidato do União Brasil usava falas mais assertivas para se alinhar à ala conservadora, indicando ter "coragem para assinar e votar" pelo afastamento de um integrante da Suprema Corte, agora o tom é de distanciamento pragmático dos processos legais.
“Eu não conheço muito bem os processos, mas eu acho que tem muita coisa que precisa ter uma dosimetria, precisa melhorar essa relação das instituições e dos poderes, e o Congresso Nacional tem papel importante nisso”, afirmou Mendes durante entrevista à rádio Jovem Pan em Cuiabá.
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Ao tentar se equilibrar entre a prudência institucional e a retórica de firmeza, o ex-governador também distribuiu críticas aos parlamentares do campo conservador que adotam uma postura combativa apenas no campo virtual. “Tem que ter senadores ali com coragem, porque fazer videozinho, todo mundo faz. Tem muita gente aí que só faz barulho, tem muita gente que é macho nas redes sociais, na hora do vamos ver é uma gazela”, disparou Mendes.
Apesar da fala mais contida sobre a abertura formal de um processo contra Moraes, o político fez questão de ressaltar o princípio da isonomia para não romper totalmente com a base antipetista. “Ninguém pode estar acima da lei. Se já fizemos impeachment de presidente, mais de uma vez, nesse país, já fizemos impeachment de governadores, de deputados, de juízes, de desembargadores. Um monte de gente já foi tirada do cargo porque fez coisa errada, então não tem como. Até o próprio ministro do Supremo defende que, se fizer coisa errada e comprovar, tem que tirar mesmo”, complementou.
Ruído na base bolsonarista e cálculo eleitoral
A mudança de tom promete gerar forte repercussão na militância e no eleitorado bolsonarista do estado, que trata o apoio ostensivo ao impeachment de ministros do STF como um teste de fidelidade indispensável. Para esse grupo, o tribunal, e de forma mais direta o ministro Alexandre de Moraes, promove uma perseguição sistemática à direita e ao próprio ex-presidente.
O movimento de pragmatismo expõe o malabarismo político do ex-governador. Mauro Mendes tentou até o último momento construir uma aliança sólida e direta com Bolsonaro em Mato Grosso, visando capitalizar o expressivo voto conservador no estado para alavancar sua candidatura ao Senado.
Contudo, ao recuar da pauta mais radical exigida pelo ex-presidente, Mendes tenta preservar pontes institucionais e afastar a imagem de radicalismo, assumindo o risco de abrir espaço para contestação interna dentro da própria direita local.
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