‘NÃO SOU CACO DE VIDRO EM CIMA DO MURO’ 03.09.2026 | 18h33

laisa@gazetadigital.com.br
Reprodução TV Vila Real
Após a Câmara de Várzea Grande devolver quatro dos 17 projetos de lei enviados pelo Executivo, que estavam parados no Legislativo, as tensões entre os Poderes aumentam, dificultando a realização de melhorias na saúde e saneamento da cidade. A justificativa alegada para a devolução de parte do pacote foi o decreto de calamidade financeira em vigor no município, já que as propostas previam a criação de cargos e o aumento de despesas.
“Infelizmente, a situação que agora está sendo colocada não é a realidade. Acredito que sim, [seja uma informação mentirosa], até pelo fato de que essas solicitações foram bem anteriores ao decreto de calamidade. Acontece que a calamidade veio em virtude do bloqueio judicial ocorrido pelo Tribunal de Justiça em relação ao precatório. Trata-se de dívida que não é da atual gestão”, declarou o parlamentar Bruno Rios (PL) durante entrevista ao Jornal do Meio-Dia desta quinta-feira (03).
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O impasse, segundo Rios, prejudica o avanço de matérias que poderiam beneficiar as contas públicas e a infraestrutura da cidade. Ele alega que a paralisação das pautas não reflete a decisão de toda a Casa, mas sim a postura da presidência.
“Não, eu não falo com a Câmara. Eu falo com o presidente da Câmara, que é o Wanderley Cerqueira, e um pertinente grupo. Hoje a gente vê sim que ainda continua um grupo do MDB, que é o presidente, Wanderley Cerqueira, por algumas pessoas ainda, tentando inviabilizar a atual gestão. O resultado da eleição de 2024 ainda ecoa, infelizmente”, criticou.
Apesar das articulações da maioria dos vereadores para dar andamento às pautas urgentes, o vereador afirma que as tentativas de tramitação continuam sendo barradas.
“Recentemente, nós protocolamos um requerimento com assinatura da maioria da Câmara Municipal para que seja protocolado esse projeto de lei. E o que o presidente fez? Não conseguiu pautar o próprio requerimento que tem a maioria dos vereadores. Então, infelizmente, ele não escuta a maioria dos colegas. E faz uma gestão pensando somente em si e com visão politiqueira”, pontuou Rios.
Para o parlamentar, a única alternativa diante do travamento de projetos essenciais para serviços como saúde e abastecimento de água é levar os fatos de forma direta aos moradores.
“O único formato é expor para a população o que está acontecendo de verdade. Se a gente não expor a verdade à população, que está sendo prejudicada por, infelizmente, estar sendo travada pela Câmara, porque todos sabem que não se consegue fazer gestão sendo travada pela Câmara. Eu mesmo não sou gato nem caco de vidro para ficar em cima de muro”, disse.
Questionado sobre a crise no Departamento de Água e Esgoto (DAE) e o recente desgaste gerado pela saída de seu ex-diretor, o vereador Rogerinho da Dakar (PSDB), Rios destacou a atuação conjunta de órgãos fiscalizadores para contornar os problemas históricos.
“Hoje já há um pacto assinado pelo governo, Ministério Público, Tribunal de Contas, Prefeitura de Várzea Grande, para que possa ter aí uma união em virtude, em prol ali do departamento de água e esgoto. Hoje, o que mais trava a prefeitura são precatórios inerentes do DAE”, explicou.
Ainda, Rios respondeu sobre a veiculação de vídeos recentes na imprensa local que mostram pessoas ligadas à administração pública manuseando quantias em dinheiro.
“Como cidadão, a gente fica perplexo. A gente fica perplexo em ver uma situação daquela lá. Mas eu acho que cabe ao vereador Rogério dar as suas explicações, e eu acredito que ele vai ter um momento oportunista. Mas não cabe a mim. A gente fica perplexo com uma situação naquele sentido. Mas eu acho que não cabe eu aqui nem ser promotor, nem advogado de defesa”, concluiu o vereador.
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