Eleições 2026 07.08.2026 | 10h23
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A união dos partidos de esquerda em torno da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a dificuldade do senador Flávio Bolsonaro (PL) em atrair aliados explicam a predominância de chapas puro-sangue na disputa pelo Palácio do Planalto. A avaliação é do cientista político Antonio Lavareda.
Com base nas atas das convenções registradas no sistema DivulgaCand, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que, das 11 chapas presidencialistas oficializadas, dez são formadas por candidatos a presidente e vice do mesmo partido.
Apenas Lula repetirá uma composição entre legendas diferentes, ao lado do vice Geraldo Alckmin (PSB).
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O cenário contrasta com eleições anteriores, quando alianças nacionais eram mais frequentes e a escolha do vice costumava servir para ampliar o arco de apoio das candidaturas.
“O que precisa ser explicado é por que não houve processo semelhante no campo da direita. A principal explicação é a percepção de alguma fragilidade da candidatura do senador Flávio Bolsonaro. As dificuldades que ele teve a partir de abril deixaram inseguros os partidos do seu campo, que preferiram empreender trajetórias individuais nesta eleição”, afirmou Lavareda.
Segundo o cientista político, o cenário foi diferente no campo governista, que conseguiu reunir praticamente todas as principais legendas de esquerda em torno da candidatura de Lula.
Lavareda lembra que, em 2022, Jair Bolsonaro (PL), então presidente da República e candidato à reeleição, conseguiu atrair partidos como Republicanos e Progressistas para sua coligação. Desta vez, Flávio Bolsonaro não contou com o mesmo poder de atração.
“Na eleição passada, Jair Bolsonaro era o incumbente. A incumbência sempre envolve um conjunto de fatores que facilita atrair aliados. Desta vez, Flávio não desfruta dessa condição; ele é o desafiante”, argumentou.
Centrão priorizou o Congresso
Na avaliação de Lavareda, a incerteza sobre o desempenho eleitoral da principal candidatura da oposição levou partidos do Centrão a permanecerem neutros na disputa presidencial e a concentrar esforços na eleição de deputados federais.
“Os partidos do Centrão passaram a fazer seus cálculos baseados numa outra variável fundamental: o isolamento poderia ajudar mais a eleição de deputados federais, que constitui o principal ativo dos partidos”, ressaltou.
Segundo ele, a estratégia tem relação direta com o peso das bancadas na estrutura de poder dos partidos.
“Ao fim do dia, nada é mais importante para um partido político no Brasil do que o tamanho das suas bancadas, sobretudo na Câmara. É daí que se origina a participação no fundo partidário, no fundo eleitoral e o peso que terão para negociar espaço no próximo governo”, salientou.
Das 11 chapas registradas até o momento no DivulgaCand, apenas Lula e Geraldo Alckmin são de partidos diferentes.
Flávio Bolsonaro (PL) e Alfredo Gaspar (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Gilberto Kassab (PSD), Romeu Zema (Novo) e Eduardo Girão (Novo), entre outros postulantes ao Planalto, são exemplos de chapas formadas exclusivamente por filiados da mesma legenda.
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