16.09.2003 | 03h00
O médico Gabriel Novis Neves preferiu ontem o silêncio a comentar as razões que levaram-no a deixar o comando da secretaria estadual de Saúde, 23 dias após ser remanejado da pasta da Educação. "Secretário que sai não fala. Ele tem todo o tempo para falar quando está no cargo. Sempre condenei essa questão de sair e falar", despistou.
No meio de um fogo cruzado, Novis Neves acabou pedindo exoneração semana passada. De um lado, enfrentava protesto e pressão da classe médica e dos donos de hospitais, que exigem do Estado e da União mais recursos e pagamento de internações em UTIs pelo Sistema Único de Saúde. De outro, foi cobrado pelo governador Blairo Maggi (PPS), no sentido de imprimir ações que estavam sendo postergadas.
Para o governador, Novis Neves declarou não ter conhecimento do resultado de uma auditoria externa, que apontou diversas falhas na pasta da Saúde, entre elas pagamento de R$ 19 milhões de restos a pagar e preço de passagens aéreas superfaturado. As irregularidades são referentes a gestões anteriores. Questionado ontem sobre o assunto, o ex-secretário disse que "não gostaria de comentar nada sobre o assunto por uma questão ética". "Não sou mais secretário. Não é ético falar".
Novis Neves desconversou também quando perguntado sobre os motivos da exoneração. "Não existe essa questão de sair e entrar. Sou torcedor pelo sucesso do governo".
Para o ex-secretário, o governo Maggi "está começando bem. "O governo está trabalhando muito". Novis assegura que não está chateado com o governador e se diz animado. "O dia que desanimar, que perder a motivação, perde a vida. Tenho, sim, que estudar mais, para aprender mais". Sobre a crise na saúde pública, comentou de forma evasiva: "Gostaria de ser médico de saúde da família. Seria muito bom".
Novis Neves tomou posse em janeiro como secretário de Educação. Em 19 de agosto foi remanejado à Saúde, no lugar da médica Luzia Leão. Com sua exoneração, o promotor de Justiça Marcos Henrique Machado, atual secretário de Administração, passou a acumular a Saúde, que detém o terceiro maior orçamento da estrutura do governo estadual (R$ 331,7 milhões). Entre as primeiras ações de Machado foram a exoneração de 38 servidores, entre eles comissionados que estavam lotados desde a gestão dos tucanos Dante de Oliveira e Rogério Salles, e a instalação de uma Delegacia para apurar crimes contra a administração pública. São acusados de provocar conflitos junto ao comando da pasta.
O ex-secretário se recusou a comentar também as declarações do governador Blairo Maggi, segundo as quais "há uma grande máfia na saúde".
Trajetória - Esta não foi a primeira experiência de Novis Neves, hoje com 68 anos, em cargo público. Foi secretário de Estado de Educação no governo Pedro Pedrossian (68/71) e comandou as pastas do Trabalho, Casa Civil e Saúde no governo Júlio Campos (82/85). Ginecologista e obstetra, Novis Neves também concorreu a cargo eleito pelo extinto PDS e pelo PDT. Foi suplente por oito anos do então senador Roberto Campos, já falecido e, em 85, perdeu para Dante de Oliveira a disputa pela prefeitura de Cuiabá. Hoje, Novis Neves não tem filiação partidária.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.