09.11.2003 | 03h00
Dentro de poucas semanas, o sujeito que chegar em casa no domingo, após beber socialmente, vai ligar a TV e achar que bebeu demais: verá o racional Flávio Prado na mesa que era marcada pelo tom de Roberto Avallone. Mudando de canal, dará de cara com o passional Avallone na cadeira até então ocupada pelo sóbrio Juca Kfouri, na RedeTV! Para aquelas mulheres que adorariam que todas as mesas-redondas de futebol explodissem, como diz um sábio comercial, dá tudo na mesma.
Na semana que passou, o mundinho dos boleiros se agitou com a contratação de Roberto Avallone - dispensado pela TV Gazeta - pela RedeTV!. Para suprir sua ausência, a Gazeta contratou Flávio Prado, que deixa o comando do Cartão Verde, da TV Cultura, que fez uma proposta a Juca Kfouri, da RedeTV!. O vaivém em ritmo de Escravos de Jó não está resolvido: a RedeTV! não pretende liberar o passe de Kfouri, que tem contrato com a casa até julho de 2004. "Não abriremos mão do Juca, temos outros planos para ele na emissora. Compramos uma série de eventos esportivos e precisamos de um profissional como ele", garante o vice-presidente da Rede TV!, Marcelo Carvalho.
Para Juca, a conversa com a Rede TV! continua. "Recebi a proposta de voltar para a Cultura, no Cartão Verde, que, como costumo dizer, é um dos melhores lugares em que trabalhei", conta Kfouri, conhecido por ser avesso a testemunhais (ou merchandisings) em seus programas, o que teria sido um dos motivos para sua saída do
O jornalista nega que sua vontade de migrar para a Cultura seja por causa da chegada de Avallone: "Não tenho nada contra ele, só que temos estilos diferentes." Para Avallone, Kfouri não está disposto a contracenar com ele. "Ele disse no ar que nunca trabalharia comigo. Isso não me importa. Já enfrentei até o João Gordo em programa de entrevistas, por que teria medo do sr. Juca Kfouri, ponto de interrogação", emenda, com seu tradicional estilo de verbalizar as pontuações.
Avallone conta que saiu da Gazeta - após 20 anos - por estar cansado da falta de recursos da emissora. Na Gazeta, a saída é atribuída a "problemas administrativos" e a constantes desentendimentos com convidados. Ele nega. "Estava chateado com a falta de investimentos no programa, a Gazeta mal divulgava meu programa", ele conta. "Aí, já desligado da emissora, fui procurar os donos na Rede TV!, que em 98 tinham me convidado para ir para a emissora", continua. "Eles me prometeram as condições artísticas que eu queria."
Flávio Prado, conhecido como o mais calmo desses âncoras, conta que não teme assumir o lugar que por 20 anos foi do explosivo Avallone, o comando do Mesa Redonda, da Gazeta. "Imprimirei meu estilo", garante. Diz que foi pego de surpresa pelo convite para trocar de casa. "Não vou ser um clone do Avallone, vou ser eu e ponto. Acho que, no fundo, os telespectadores de mesas-redondas não sentirão muito a diferença. Eles estão acostumados a ficarem mudando de canal, de um programa para o outro. No máximo, vão achar que estão ficando loucos", fala Prado
Milton Neves, que comanda o Terceiro Tempo, na Record, afirma que não recebeu convites para deixar a emissora e que, se recebesse, não aceitaria. Para ele, a movimentação no meio só valoriza as mesas-redondas. "A promoção gera maior aceitação do público quanto ao produto esportivo", diz. Neves apresenta o único programa do gênero que paga cachê para os convidados. Mas nem todos aceitam o valor. Maradona, por exemplo, pediu US$ 50 mil, mais outros benefícios. "Não teve negócio", fala o apresentador.
"A minha mesa não é exatamente redonda", brinca Paulo Bonfá, que apresenta o Rock & Gol, da MTV, ao lado de Marco Bianchi. "Valorizamos a notícia e a brincadeira." O tom debochado agrada a um público diferenciado, incluindo muitas mulheres, e o programa segue o pensamento de Bonfá: "Futebol não é razão de vida e não deve ser encarado com fanatismo e inimizades. Não é para ser levado tão a sério, mas sim como lazer e diversão." Para Bonfá, a dança de cadeiras na área só beneficia o seu
José Trajano, que já dividiu o Cartão Verde com Flávio Prado e Juca Kfouri, classifica a atração da "MTV" como ginasial. Diretor de Jornalismo da ESPN Brasil, apresenta o
Na concepção de Trajano, o Linha de Passe, maior audiência da ESPN Brasil, tenta seguir a receita de uma mesa redonda da TV Rio dos anos 60. Não é uma ambição modesta: "Tinha o João Saldanha, Armando Nogueira e Nelson Rodrigues", ele conta, emendando que "a qualidade dos profissionais é que fazia o sucesso da atração."
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