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05.10.2003 | 03h00

A melhor versão das novelas com os Cassetas

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Se a maior parte do público torce para que Santana pare de beber e Marcos não surrar mais Raquel, a turma do Casseta & Planeta torce contra. O humorístico da Globo tem faturado de tabela no ibope com uma engraçadíssima paródia da novela de Mulheres Apaixonadas. Em Mulheres Recauchutadas, os principais personagens da trama de Manoel Carlos são ridicularizados.

Aliás, o autor já esteve na mira dos Cassetas em 2000, quando escreveu Laços de Família. Na ocasião, os rapazes lançaram Esculachos de Família, que acabou ficando no ar por quatro meses. O mesmo aconteceu com O Clone, rodada por Jaime Monjardim em 2001. A versão casseta chamou-se Siliclone e fez tanto sucesso quanto a história original.

Só Benedito Ruy Barbosa não gostou das brincadeirinhas sugestivas feitas com Esperança, em 2002. Quando Semelhança entrou no ar o autor esbravejou pelo Projac, alegando que a trama não se parecia com Terra Nostra.

Para a teledramaturgia atípica de Mulheres Recauchutadas, sobram elogios. Os arranjos desafinados do saxofonista Teony Ramos (Reinaldo) têm ajudado a manter o bom Ibope do humorístico: a média fica em 35 pontos, número considerável para uma atração que não vai ao ar antes das 22h30. Entre os intervalos das gravações, o casseta Reinaldo contou à reportagem, o destino dos seus personagens.

- O que podemos esperar de Mulheres Recauchutadas?

- Aqui não tem essa de gente boazinha, de lição social. Nós estamos torcendo pelos porres da Santana. Se ela parar de beber, vai estragar o futuro da Socana, nossa personagem. Ah, e o Tom Hanks também não pode ficar bonzinho. Se ele parar de bater na mulher, o que eu vou ficar fazendo na novela?

- Mas você ainda interpreta a Edwirgem e o Teony, não?

- É verdade. Acho mais fácil a Santana parar de beber do que o Tony Ramos se livrar de todos aqueles pêlos, né?

- Alguém já se ofendeu com as brincadeiras de vocês?

- Que nada! Os atores adoram ser caricaturados. É um sinal de que a novela está fazendo sucesso. O próprio Manoel Carlos já me disse que gosta bastante da nossa versão! Aliás, a gente está na segunda trama dele. Também fizemos Esculachos de Família, lembra?

- Claro. Por quê vocês não montam um núcleo próprio de teledramaturgia?

- Nós já pensamos nisso. Queríamos fazer uma espécie de minissérie, um seriado.

- Só os artistas contratados pela Globo podem entrar na brincadeira? Vocês podem brincar com gente de outra emissora?

- O programa é bom de audiência. Não vemos com bons olhos atacar a concorrência. Poderia virar uma guerra de empresas. Não queremos entrar nessa.

- Mas não há acontecimentos que mereceriam uma gracinha, como a fantástica história da morte do Sílvio Santos?

- Nunca falta assunto para fazer piada. A gente discute tudo, depois chega a uma conclusão do que vai para o ar. Vocês devem pensar que só tem porra-louca no grupo. Mas temos disciplina, organização. É claro que também rolam socos, pontapés, copos voando, gritaria... - Como?

- Brincadeira. Às vezes a gente discute muito e quebra o pau. Mas tudo no maior respeito, entende? No final, acaba saindo um resultado legal. A gente tem uma química boa. Afinal, são 11 anos de programa, né?

- Como escolheram Casseta&Planeta para ser o nome do programa?

- O Humberto e o Cláudio Paiva trabalhavam no jornal Planeta Diário. O restante da equipe trabalhava em uma revista chamada Casseta Popular. Aí, resolvemos juntar um pedaço de cada nome.

- Você trabalhava em jornal?

- Era cartunista do jornal Pasquim, de 1974 a 1984. Vou mandar um dos meus desenhos para vocês. Falam muito de política.

- Pensei que havia sido músico. Não tem uma banda?

- Tenho. Ela se chama Companhia Estadual de Jazz, uma paródia feita para a Companhia Estadual de Gás, aqui do Rio. O nome tem cara de piada mas a música é de verdade, tá?

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