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11.07.2004 | 03h00

Adriano Stuart foi um dos primeiros atores mirins da TV

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Adriano Stuart desde bebê freqüentava o circo, não exatamente como espectador. Ele nasceu em 1944, em uma das mais famosas famílias circenses do Brasil. No Circo Oni, do avô do ator, todos os papéis infantis em pequenas peças eram destinados ao pequeno Adriano Roberto Canales, seu nome de batismo.

Em 1950, quando o circo foi vendido, a família Canales se estabeleceu em São Paulo. Walter Stuart, pai de Adriano, procurou emprego durante um ano e ia sempre sondar oportunidades no Café dos Artistas, no Largo Paissandu. "Em 1951, uma pessoa de lá disse a ele que havia um ramo novo na praça, um negócio chamado televisão", lembra Adriano.

No mesmo ano, a família Canales inteira - incluindo avó e avô, tio e tia, mãe, pai e filho -foi contratada pela Tupi, que estava constituindo seu elenco. Os oriundos do rádio eram maioria, mas a emissora também conhecia os potenciais de outras áreas. "eu pai se recusou a fazer testes, mas eles o contrataram por já conhecer o trabalho dele no circo", explica Adriano. Walter e seu irmão, Henrique Canales, foram para a produção do estúdio. Adriano, com sete anos de idade, foi contratado como ator.

"Lembro de ter odiado a televisão. Saí de uma vida maravilhosa, de uma casa que viajava de mês em mês para ir parar num estúdio", conta. "Meu sonho era ser jogador de futebol", revela Walter, que até foi convocado para jogar profissionalmente quando tinha 17 anos.

As lembranças da infância na tevê são poucas. "Recordo, com clareza, de mim e da Sônia Maria Dorce dublando Ella Fitzgerald e Louis Armstrong num programa quando eu tinha uns 10, 11 anos", diz o ator. "Me marcou muito porque tivemos de decorar a sonoridade das palavras". Ele também se lembra que a família emprestava móveis para os cenários dos programas. "Eles sempre buscavam tapetes, quadros, cadeiras e depois devolviam tudo certinho".

Ao mesmo tempo em que o filho era um astro infantil da casa, Walter já era diretor de programas humorísticos como o Circo Bom Bril e A Bola do Dia. Mas Adriano não trabalhava diretamente com o pai. Participou de Grande Teatro, TV de Vanguarda e TV de Comédia, mas sob a batuta de outros diretores.

"Crescer na televisão me fez envelhecer antes do tempo, no bom sentido", comenta. "Ao invés de sair com os garotos babacas que estudavam comigo, eu saía com Rolando Boldrin, Lima Duarte e Dionísio Azevedo", conta o ator, que estreou nas novelas em 1955 como Oliver Twist na adaptação do romance de mesmo nome.

Seu grande sucesso nas novelas foi em 1970, em Algemas de Ouro da Record. "Entrei como um personagem de pouca relevância e, algum tempo depois, conquistava o posto de protagonista, além da mocinha da novela, Mária Maria", gaba-se. Como um personagem periférico chega a ser principal? "Talento é uma boa palavra", diz Adriano, sem modéstia.

Adolescente, começou a se interessar pela direção. Na Record, trabalhou como assistente nas novelas de Walter Avancini. Mas seu primeiro trabalho mais conhecido atrás das câmeras foi em 1972, como autor e diretor da série Shazan, Xerife & Cia, estrelada por Paulo José e Flávio Migliaccio. Ele não acha a tarefa de dirigir novelas uma das melhores do mundo. "Hoje, na Globo, você não tem um diretor, mas quatro. Na época, eu tinha quando muito, um assistente de produção e outro de direção, que quase sempre ajudava na produção", reclama o ator. "E o salário também não era nada de especial".

Em 1985, na Globo, depois de dirigir Os Trapalhões e especiais de Dercy Gonçalves e Costinha, ele desistiu das novelas. No mesmo ano, foi para a Bandeirantes, onde ficou por três anos.

Atualmente, Adriano está em cartaz no Teatro Popular do Sesi com a peça O Que Leva Bofetadas, dirigida pelo amigo Antônio Abujamra. Ele também irá dirigir o programa diário Vila Maluca da Rede TV!, que estréia este mês.

"Eu não tenho trauma, eu tenho idade", explica o ator sobre sua atual relação com a tevê. "Se pudesse só trabalhar como ator, seria ótimo, mas não alimento qualquer visão romântica sobre a profissão", garante Adriano. "Afinal, não a escolhi".

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