27.06.2004 | 03h00
Atriz desde a década de 40, a paulistana Bárbara Fázio sempre teve de lidar com comentários pouco simpáticos por ser casada com "o diretor da novela". "Ninguém falava diretamente, mas sempre ficava um clima ruim no ar", conta a atriz de 74 anos, viúva do autor e diretor Walter George Durst.
E é mesmo muito difícil dissociar sua imagem da de Durst. Ambos foram pioneiros na televisão brasileiro e por influência dele, Bárbara entrou para o mundo artístico em 1946. Walter procurava uma moça para ler poesias na Rádio Cultura. Chegou até Bárbara através da amiga de uma irmã. Sua futura esposa, na época, era uma adolescente de 16 anos que adorava recitar poesia na igreja. "Ele me chamou para fazer um teste, percebeu que eu levava jeito pra coisa e, alguns programas de rádio depois, já estávamos namorando", conta Bárbara.
A dupla entrou na televisão em 1950. Antes, trabalhavam na Rádio Tupi e já eram conhecidos pelo pessoal da tevê. Durante 11 anos, Bárbara participou do Teatro de Vanguarda, programa que encenava autores clássicos como Shakespeare, Pirandello e Gogol. Walter adaptava e dirigia as montagens. "Às vezes, o Cassiano Gabus Mendes (diretor artístico da Tupi) proibia minha participação" lembra Bárbara, sem aparentar ressentimento. "E nunca falou em contrato. Eu trabalhava de graça".
Alguns anos depois, ela assinou contrato com a Record. "Eles não davam muita força para o teatro e eu desanimei pouco depois", admite Bárbara. Quando ainda era contratada da Record, ela teve um filho e participou do filme O Sobrado, de Durst. "Nunca tive uma carreira linear."
Na Excelsior, participou de programas de teatro ao vivo, sem videoteipe. E fez sua primeira novela, O Feijão e o Sonho (69), que intercalava dramaturgia com aulas de português. "O locutor dava aula em cima dos diálogos", explica.
A atriz ainda fez vários longa-metragens até ser chamada para seu próximo trabalho na telinha. Foi em 1980, na novela Coração Alado, uma de suas preferidas. "Nessa época, a Globo já era muito organizada", lembra Bárbara. "Eu adorei porque era muito bem tratada, tinha muita mordomia e publicidade".
Mas não foi o bastante para Bárbara. "Nos anos 80, já existia muito ator", explica. "Então eu não consegui fazer carreira da maneira como gostaria de ter feito", lamenta. Na Globo, ela também fez Terras do Sem-Fim, de 1981, dirigida por Herval Rossano. "Ele era estúpido", revela. "Perseguia os atores berrando, foi odioso trabalhar com ele", conta a atriz, que o coloca entre os motivos justos para ter abandonado a tevê definitivamente por vontade própria.
O diretor Wanter Avancini é outro que não tem lugar cativo no coração da atriz. "Era uma pessoa difícil", comenta. "Mas era muito talentoso, ao contrário do Rossano". Com Avancini, ela trabalhou nas minisséries Anarquistas, Graças a Deus (84), Memórias de um Gigolô (86) e na novela Tocaia Grande (95), da Manchete. "Entrei animada na novela, mas na metade, chamaram o Avancini para dirigir e eu me desiludi", comenta.
O lado bom foi quando atuou em Brega e Chique (87), dirigida por Jorge Fernando - segundo a atriz, uma pessoa animada e boa de se trabalhar. "Foi um dos meus maiores sucessos", relembra a atriz. "Fazia a irmã ciumenta do Paulo César Grande e todo mundo me cumprimentava na rua", conta.
Sua despedida da telinha coincidiu com o adeus ao marido, que faleceu em 97. Bárbara fazia parte do elenco de Os Ossos do Barão, do SBT. "Tudo era bom na novela, dos atores à ambientação", conta. "Além disso, fui dirigida pelo Antônio Abujamra, uma pessoa criativa", comenta. "Infelizmente, o Walter não pode cumprir contrato com o Sílvio, justamente quando valorizaram o trabalho dele", lamenta a atriz, que se emociona ao falar do marido. "Pra mim, ele era o melhor profissional e foi o grande amor da minha vida".
Depois da morte de Durst, com quem teve dois filhos, Bárbara não quis mais saber de novelas. E jura não sentir saudades. "Minha luta sempre foi por bons trabalhos", conta. "Atualmente, novela pra mim é só como telespectadora", conclui bem-humorada.
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