09.11.2003 | 03h00
Bons eram os tempos em que ser apresentadora infantil não requeria cabelos loiros, olhos azuis, corpinho esbelto e namorados famosos. Esses tempos ficaram na saudade de Márcia Cardeal - Mércia Cardeal, seu nome verdadeiro - a morena de olhos verdes e corpinho roliço que fez sucesso durante anos à frente do Zás-Trás, infantil da antiga TV Paulista, que depois virou TV Globo. "As pessoas me chamam até hoje de Xuxa dos anos 60, mas eu não me acho em nada parecida com ela", conta a simpática e jovial senhora de 55 anos.
Márcia começou na tevê por acaso. Em 1958, seu pai era contra-regra da TV Paulista e levou a filha de 10 anos para assistir a um programa infantil. Por coincidência, os diretores estavam procurando uma atriz-mirim para fazer teledramas, novelas de um dia com duas horas de duração. "Eles gostaram de mim, principalmente porque eu já tinha experiência. Meus pais trabalhavam em circo e eu nasci e comecei a trabalhar 15 dias depois, interpretando o menino Jesus", explica.
Depois, pulou dos teledramas para as novelas da tarde. Fez Chapeuzinho Vermelho e Branca de Neve e os Sete Anões. Fez um filme, O Vigilante Rodoviário e, em 1963, chegou ao horário nobre, atuando em folhetins como
Embora também tivesse as suas "paquitas", ela diz que o programa era bem diferente dos que salpicam a grade dos canais abertos de hoje. "Nós tínhamos um quadro que premiava os alunos destacados das escolas", lembra. "Era o máximo, as crianças se realizavam ao receber uma medalha no programa."
Os tempos eram mesmo outros. Márcia Cardeal saiu do programa infantil, em 1972, para virar professora pública. "Por incrível que pareça, naquela época, não se ganhava dinheiro como artista de tevê. Eu ganhava muito mais como professora pública", lembra ela, que justifica também seu afastamento da telinha porque a Globo transferiu toda sua infra-estrutura para o Rio de Janeiro, já com pretensões de acabar com o Zás-Trás no
Desde então, Márcia Cardeal nunca mais voltou para a tevê, exceto em uma homenagem que lhe fizeram na TV Cultura e no programa da Mara Maravilha, nos anos 80. Mas ainda guarda boas lembranças e não foge de fazer comparações com os programas de hoje. Lembra que trabalhou com a Hebe nos teledramas e que o Bozo, interpretado por Luis Ricardo, era um de seus "baixinhos". No auge da sua popularidade, em 71, Márcia ficou grávida do seu primeiro filho. "A Xuxa, quando ficou grávida, fez aquele carnaval, todo mundo comentava e queria saber detalhes. Minha gravidez nem podia ser mostrada na tevê. A câmera não mostrava minha barriga."
Márcia saiu das telas e virou professora, depois coordenadora pedagógica e diretora de uma escola de São Paulo. Já teve uma pré-escola e hoje se dedica aos cursos de culinária. À pergunta se gostaria de voltar para a tevê, responde enfática. "Sinto saudades, mas não tenho a menor chance. Não sou loira, muito menos magérrima. Pobre de mim!", brinca Márcia, que tem até fã-clube entre funcionários do Metrô de SP.
* Se você deseja saber por onde anda alguma personalidade que fez sucesso na tevê há alguns anos, mande um email para fabiab@agestado.com.br ou ligue para (11) 3856-3685/3605. FIM
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