29.06.2003 | 03h00
Ela está sempre sorrindo e fazendo rir. Atualmente, Nair Bello está no ar na novela das 7, Kubanacan, como dona Dolores, e no humorístico
No ano passado, a atriz teve um grave problema de saúde, um edema pulmonar agudo, conseqüência dos mais de 60 anos de fumante. Depois de uma cirurgia, viu-se obrigada a parar de fumar. E conseguiu. Às vezes, no entanto, ainda sonha que está fumando. Trabalha no Rio, mas como legítima paulistana, não abre mão de morar em São Paulo. Entre uma ponte aérea e outra, ela recebeu a reportagem em seu apartamento em Higienópolis, onde mora há mais de 20 anos.
- Você sempre tem papel certo nos elencos de Carlos Lombardi, autor de
- Acho o Lombardi um gênio. Todo mundo fala que tem panelinha do autor, mas não é assim. É que você se identifica. Trabalho com o Lombardi desde 1992, com Perigosas Peruas
- Há quem diga mesmo que você é atriz de um papel só, mas que ninguém faz esse papel melhor que você.
- Eu concordo. Acho maravilhoso. Estou há 54 anos com o mesmo tipo e ainda estou trabalhando.
- E de novo com a amiga Lolita Rodrigues. Quantas vezes vocês já atuaram juntas?
- Fizemos também A Viagem
- Tem a Hebe também...
- Tem, mas ultimamente é muito difícil eu vê-la. A gente se encontra em festa, se fala de vez em quando. Mas a Hebe tá muito fogueta. Faz o programa, vai pra Miami, vai pra Paris. Ela não pára. Mas, com 74 anos, faz ela muito bem.
- É a primeira vez que você contracena com Adriana Esteves e Carolina Ferraz. Você esperava essa sintonia entre vocês?
- Estou adorando. Nós temos uma química muito grande, desde o primeiro capítulo. Mas é aquela coisa: encontrar um autor que escreva comédia. Porque fazer rir é mais difícil, mas também é mais gratificante. Fazer chorar é muito fácil. Por exemplo, se eu contar minha vida para você, você chora.
-
- Eu não vi. Mas a Vera Holtz viu e disse que a mulher que me dublou era muito engraçada. Tinha a voz grossa e rouca como a minha. Fiquei comovida quando encontrei uma brasileira que mora em Massachussets que me disse o sucesso que Uga-Uga
- No quadro do
- A gente é muito amigo. Ele é muito engraçado, inteligente e improvisa demais. O Rogério não segue o script, mas faço um esforço danado. Ele combina com o diretor para fazer coisas que não estou sabendo. Ele faz, dou risada e o diretor deixa passar. A gente fica à vontade e o público gosta.
- No início da carreira, você foi reprovada em testes para radionovela e locução. Foi um "empurrão" para o humor?
- Na verdade, não fui reprovada. Fiz um teste, passei e me indicaram para fazer radionovela na Record. Mas, no primeiro episódio que fui gravar, eu ri. O contra-regra era muito engraçado, ele batia no peito com dois cocos para fazer o galope do cavalo. Era ao vivo, comecei a rir e me expulsaram do radioteatro. Fui fazer locução e também não me dei bem, daí fui para programas de humor.
- Você algum dia pensou em ter outra profissão?
- Desde os 8 anos idade eu queria ser atriz. Botava um lençol, ia na frente do espelho e dançava o bolero de Ravel. Nunca pensei em fazer outra coisa.
- Há alguma coisa que você ainda não tenha realizado por falta de oportunidade?
- Não, estou muito contente. Faço novela, faço humor, é o que eu gosto. Uma vez o Flávio Rangel me convidou para fazer uma peça de teatro, em que interpretaria uma inglesa. Mas não aceitei porque achei que não tinha estrutura para fazer o papel, estou sempre fazendo sotaque italiano. O Babenco também me convidou para fazer O Beijo da Mulher Aranha
- Você já fez teatro?
- Uma vez só. Fiz Alegro Desbum, do Oduvaldo Vianna Filho. Ele escreveu a peça pra mim. Não esqueço a cena: meu marido tava na janela e eu falei pra ele que o Vianinha tinha feito uma peça pra mim. Daí ele perguntou: "Tem palavrão?" E o Vianinha: "Tem". Daí, não fiz, quem fez foi a Berta Loran. Em 1975, quando perdi meu filho e o Vianinha já tinha morrido, o diretor Zé Renato me convidou pra fazer a mesma peça, e toda minha turma, inclusive meu marido, insistiu para eu fazer a peça. Na perda de um filho, o que ajuda bastante é o trabalho. Ficamos um ano e meio em cartaz.
- Você mantém a proposta de não fazer cena de beijo na boca?
- Meu marido nunca gostou que me agarrassem e me beijassem, e sempre respeitei isso. Ele morreu faz quatro anos, mas até hoje respeito. Uma vez fui mandada embora de um programa da TV Rio porque eu tinha que sentar no colo do Castrinho e o diretor falou que se eu não sentasse teria que sair do programa. Daí saí. Depois pedi desculpas ao Castrinho. O Rogério Cardoso brinca, quer me agarrar, fala que o diretor mandou, porque ele sabe que detesto.
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