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03.10.2004 | 03h00

O olhar fatalista do peão de Eriberto Leão

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Eriberto Leão impressiona pela forma nada cética com que encara a vida. Frases como "As coisas acontecem na hora certa", "Não era para ser" ou "me deixo levar pelo coração" surgem com freqüência quando ele fala sobre a sua trajetória profissional. O trabalho em Cabocla só o faz levar essa filosofia ainda mais a sério. Aos 32 anos de idade e 12 de carreira, Eriberto acha que atingiu a maturidade necessária para interpretar um tipo de forte carga dramática como o sensível peão Tomé. Tanto que ele é, disparado, seu personagem de maior destaque na tevê e marca sua volta para a Globo depois de sete anos Eriberto só tinha feito uma novela na emissora, O Amor Está No Ar, de Alcides Nogueira. "Fiz testes na Globo nesse tempo e não passei. O de Cabocla foi o melhor, por isso só voltei agora. A hora era essa", confirma com ar profético.

O perfil do personagem também leva Eriberto a acreditar que era o melhor ator para interpretá-lo. A simplicidade, uma das características mais marcantes em Tomé, é a que o ator mais busca apresentar no dia-a-dia. "A pior coisa é se iludir com o sucesso e achar que já sabe tudo. O filósofo Baruch Espinosa falava que se você vive com ética e humildade entra em sintonia com um destino bom", explica Eriberto, que vê no colega de elenco Tony Ramos, que interpreta o Coronel Boanerges, o melhor exemplo desse comportamento na sua profissão. "Ele é a grande estrela da novela e o mais humilde. Então acaba influenciando os outros atores. Quero ser um exemplo para as pessoas assim como o Tony é", derrama-se.

Nos bastidores de Cabocla, segundo Eriberto, todos foram contagiados pelo comportamento de Tony Ramos. "Todos se dão bem, não tem competição. É uma novela feita com amor, verdadeira e simples, por isso agrada o público", empolga-se o ator, que nunca foi tão abordado nas ruas quanto agora. São constantes os elogios pelo seu desempenho e a torcida para que Tomé se acerte de vez com Tina, vivida por Maria Flor. "Mas é impressionante como falam da novela em si. Todo mundo gosta", valoriza.

P Na versão original da novela, o Tomé morre numa emboscada e agora ele vai terminar feliz, provavelmente ao lado da Tina. Você atribui essa mudança a empatia do seu personagem com o público ou a do casal?

R Acho que as duas coisas contribuíram para que o Tomé não morresse. E também a cara que eu e o Malvino Salvador, que faz o Tobias, demos para esses peões. Eles são rudes e rústicos, mas sensíveis ao mesmo tempo. Acredito que isso tenha feito com que eles conquistassem as pessoas.

P Outro acontecimento que não existia na versão original da novela é a volta da Rosa, que já foi anunciada. Você se envolve com a história ponto de torcer por esse ou aquele desfecho para o personagem?

R Queria mesmo que a Rosa voltasse e o Tomé tivesse que optar entre ela e a Tina. Não sei qual das duas eu prefiro, preciso ver o que a Rosa vai falar e que atriz vai fazer. Mas acho difícil que eu funcione melhor em cena com outra atriz do que com a Maria Flor. Desde que fizemos o teste juntos percebi que ia dar certo. Temos a mesma maneira de interpretar, com o coração. Não combinamos nada antes da cena, deixamos fluir e tudo acontece na maior facilidade. É a primeira vez que tenho essa sintonia com alguém, nas outras novelas era normal.

P Você diz que se identifica com o Tomé pela simplicidade. Que outros valores tem em comum com ele?

R Lealdade e idealismo, que não é político, mas de vida. Busco o tempo todo ser uma pessoa honrada, justa e acreditar em códigos de ética. Mas tem um lado dele que não concordo, que é o de ficar sofrendo tanto por amor. Ele esperou pela Rosa, que fugiu da cidade, mais de dois anos. Jamais faria isso.

P Você fez muitos personagens dramáticos no teatro, como Jesus Cristo na peça O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Acredita que isso o ajudou a conseguir o papel em Cabocla?

R Não me considero um ator dramático. Adoro fazer comédia, me acho engraçado, mas realmente minha trajetória no teatro é de peças fortes. Acho que isso ajudou, mas estou aprendendo diariamente ainda. Sou muito autocrítico, fico o tempo todo me observando, vendo aonde posso melhorar minha maneira de atuar. Mas não sou de assistir minhas cenas e achar tudo ruim. Poucas vezes nessa novela vi cenas minhas que não gostei. Estava preparado para fazer uma novela dessa qualidade, tanto que está dando certo. Recebi uma resposta positiva tanto do público quanto da direção. Isso é natural, a gente vai amadurecendo, já tenho 12 anos de carreira. Se você tem vocação e tenta fazer o melhor, sempre as coisas dão certo.

P Quando você percebeu que tinha vocação?

R Na infância e na adolescência era uma peste, embora fosse tímido para certas coisas. Então minha mãe me botou para fazer teatro no colégio, achando que poderia me ajudar. Logo peguei gosto pela coisa, mas fui expulso do curso de teatro no mesmo ano em que entrei. Tinha 15 anos. Quando acabei o colégio me matriculei no Instituto Célia Helena, uma das escolas de teatro mais conceituadas de São Paulo. Um ano depois, quando acabou o curso, prestei vestibular para a EAD, Escola de Artes Dramáticas, em São Paulo. Fazia administração e conciliei as duas faculdades. Quando terminei tudo fui estudar interpretação em Nova Iorque. Fiquei lá um ano e pouco e quando voltei logo consegui o primeiro trabalho. Foi numa novela religiosa que passou na TV Gazeta, Antônio dos Milagres. Fazia Santo Antônio, o protagonista. Depois não parei mais de trabalhar.

P Mas só agora você está se destacando na tevê. Acha que daqui para frente vai ter mais espaço no veículo?

R Quero que Deus conspire a meu favor, aponte o meu caminho. Acredito que existe uma energia que o leva a fazer o que vai ser melhor para você naquele momento. Mas para que isso aconteça você tem de acreditar. Quando Moisés passou pelo mar vermelho e a água levantou, todos que estavam lá acreditavam que isso ia acontecer. Além disso, faço o melhor que sou capaz, então não fico preocupado com o que vai acontecer. Se não aparecer trabalho, tenho projetos na manga. Um deles é uma peça sobre o Jim Morisson. Mas nesses anos todos não precisei produzir nada porque as coisas foram rolando. Tenho uma carreira teatral sólida, mas as pessoas não conhecem carreira teatral de ator. Se você não está fazendo novela, não está fazendo nada.

P Depois de um início nômade na tevê passou pela Gazeta, Band e Record você torce para se firmar na Globo?

R Minha vida está nas mãos de Deus, não sei onde ele vai me levar e se soubesse não teria graça. Tudo sempre conspira a favor e a arte é autônoma. Os personagens te escolhem e não você os escolhe. Vou ver por qual vou ser escolhido agora. Mas independentemente de continuar na Globo, vou ser feliz porque Cabocla foi um momento muito especial. A novela foi conseqüência de outros trabalhos e não sei para onde vai me levar. Mas sei que o melhor vai me acontecer. Pode ser fazendo cinema ou teatro. Como já falei, tenho meus projetos na manga. Também penso em fazer uma viagem para me reciclar. Já morei em Nova Iorque e quero voltar para estudar.

P Que lembranças você guarda do trabalho nas outras emissoras?

R Acho que me tornei um ator mais flexível e humilde. E é a através da humildade que a inspiração vem para mim. A precariedade que existe nas outras emissoras te faz dar mais valor a uma novela como Cabocla, que proporciona todas as condições para realizar um bom trabalho. E você também não dá tanto a cara a tapa porque muito menos gente está te vendo. Pude errar para agora arriscar um vôo mais certeiro.

P Cabocla está entrando na reta final. Qual o balanço que você faz desse trabalho?

R Melhor impossível. Cabocla caiu no gosto do público, todo mundo que me aborda comenta que a novela é muito boa. Me sinto honrado de ter feito parte desse trabalho, que vai ficar na memória das pessoas como uma novela especial. Sem contar que amadureci muito como ator contracenando com feras como Tony Ramos, Mauro Mendonça e Vera Holtz. Foi uma grande escola e uma família, todo mundo se gosta e faz um trabalho verdadeiro.

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