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14.09.2006 | 03h00

Medicamento que corta o sono pode ser lançado no Brasil

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Para alguns, dormir é perca de tempo. Se pudessem ficariam acordados direto. Mas o fato é que o corpo humano precisa de sono. Toda uma polêmica está surgindo por causa de um medicamento que pode ser lançado em breve no Brasil. É o modafinil, já aprovado na França com o nome Modiodal e nos Estados Unidos como Provigil. Este simples comprimido é capaz de manter uma pessoa acordada por até 72 horas, dependendo da dose. E os estudos mostram que ele não vicia.

O objetivo da empresa farmacêutica Cephalon era atingir apenas aquelas pessoas que possuem doenças como narcolepsia, apnéia do sono e outros distúrbios que causam sonolência excessiva durante o dia. Mas o que se verificou é que um exército de executivos viciados em trabalho e dispostos a subir na escada corporativa transformaram o modafinil na vitamina cotidiana de seus sonhos.

"Não é de hoje que se procuram maneiras de aumentar a produtividade. A modernidade nos trouxe uma série de prejuízos em relação ao sono", observa o pneumologista especializado em medicina do sono Lucas Bello. "O nosso organismo foi programado para trabalhar em dois períodos: sono e vigília", destaca.

"No começo do século passado surgiram alguns medicamentos que faziam com que a pessoa ficasse mais tempo acordada. Isso foi muito usado durante a Segunda Guerra mundial. Eram as anfetaminas, que causavam dependência química", lembra.

"Agora devido aos distúrbios do sono que provocam uma grande sonolência diurna, foi desenvolvido há alguns anos atrás, em 1998, o modafinil, liberado pelo FDA (Food and Drug Administration dos EUA)", conta. "Mas as pessoas sem doença alguma começaram a tomar. É um mercado que movimenta muito dinheiro", afirma.

As Forças Armadas americanas foram pioneiras no uso alternativo do modafinil. Montaram-se testes com pilotos de helicópteros e de bombardeiros. A tropa foi capaz de voar por 48 horas sem pregar os olhos, bombardear alvos no Afeganistão e voltar às bases sem cometer erros. Vieram em seguida os soldados, que o governo quer transformar em superguerreiros para combater por dias contínuos sem dormir.

O modafinil atua no sistema nervoso central como um estimulante. Seu efeito dura em média 15 horas. Mas como já dito, uma dose de 400 miligramas (cada comprimido tem 100 miligramas) mantém a vigília por até 72 horas. E o problema está aí. Ninguém sabe as conseqüências desse uso por tanto tempo.

"Se você toma um remédio para ficar acordado, terá um preço com certeza", alerta Lucas. Alguns problemas que já foram diagnosticados por causa de seu uso foram diminuição da criatividade, da espontaneidade e da capacidade de resolver problemas e tomar decisões.

O uso prolongado pode acarretar consequências óbvias da privação de sono: irritabilidade, queda de imunidade, aumento da pressão arterial, tendência à depressão, ansiedade, alterações de memória, arritmias cardíacas e dificuldade de operar máquinas e equipamentos.

No Brasil, o modafinil aguarda liberação pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). É preciso ter em mente que trata-se de um medicamento para tratar pessoas com determinadas doenças e precisa ser prescrito pelo médico. "Desde 2005, outra droga deste tipo já está sendo estudada em macacos, que é o Ampakine ou CX717", informa o especialista. "É importante lembrar que nada substitui o sono. As três primeiras necessidades fisiológicas básicas do ser humano para se ter um corpo saudável são comer, beber e dormir", ressalta.

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