07.09.2006 | 03h00
Todo mundo pensa que quem é magro é feliz. Gordurinhas a mais são um pesadelo. Mas essa história pode se inverter. Pessoas muito magras podem se sentir tão incomodadas quanto os obesos. A auto-estima é a principal parte a ser afetada. Não existe bunda para preencher aquela calça, nem pernas para mostrar naquela saia, nem tórax e braços para a tal regata.
Por incrível que pareça, a dificuldade em ganhar peso e a magreza excessiva também causam muitos transtornos na vida das pessoas. "Na prática, podemos estar magros porque estamos doentes, porque não estamos comendo a quantidade suficiente de calorias para cobrir nossas perdas ou porque somos constitucionalmente magros", explica a endocrinologista e nutróloga Ellen Simone Paiva, que é diretora-clínica do Centro Integrado de Terapia Nutricional de São Paulo (CITEN).
Quem é constitucionalmente magro costuma vir de uma família magra, ou seja, popularmente falando são os que não possuem tendência para engordar. Ellen explica que na verdade, a pessoa muito magra e que ao mesmo tempo tem um organismo saudável possui hábitos diferentes. "Provavelmente a família tem um bom padrão alimentar, não são comedores compulsivos, comem em horários fixos e se sentam à mesa na hora das refeições", cita.
Segundo o Índice de Massa Córporea (IMC), o indivíduo que alcançar o resultado 18 está desnutrido. Mas a nutróloga observa que podem haver exceções à regra. "Existem pessoas que atingem este nível, mas são saudáveis", afirma. "A desnutrição acontece quando o seu organismo começa a consumir massa muscular para ter energia, que são proteínas. O que deve ser consumido neste caso são os carboidratos e a gordura. Mas se estes estiverem em falta, o corpo dá outro jeito", explica.
"Uma característica fundamental do magro saudável é a de que geralmente, ele tem um histórico de ter sido sempre magro se alimentando bem", lembra. Um dos fatores que fazem uma pessoa magra emagrecer ainda mais são as características psicológicas. "A maioria dos magros perdem o apetite quando estão nervosos, tristes ou estressados. Eles simplesmente se esquecem de comer, não conseguem", conta. "É muito comum por que esse tipo de pessoa tenha uma gastrite ou um refluxo", diz.
Muitos pacientes obesos descrevem, com inconformismo, casos de conhecidos muito magros e comilões. Uma coisa é certa, se eles são magros e mantêm o peso é porque ingerem apenas a quantidade calórica que gastam diariamente. "Nunca conseguiremos convencer os conhecidos gordinhos desse fato. Não adianta explicar que, muitas vezes, os magros comem muito, mas o volume de alimentos pode não significar a ingestão de muitas calorias", contrapõe a nutróloga.
A médica fornece um exemplo para tornar mais fácil o entendimento da questão: a avaliação de dois pratos em um restaurante por quilo. O primeiro prato é composto por duas colheres de servir de arroz, uma concha cheia de feijão, um filé de frango e legumes refogados., totalizando mais ou menos 650 gramas. O segundo contém um pastelzinho de queijo, uma colher de farofa e outra de salpicão de frango com batata palha, um pedaço de lingüiça calabresa e uma couve-flor à milanesa. O total é de 450g.
"Que prato você acha que estaria na mesa do magro?", questiona. "Se você disser o de 650 gramas, acerta. E o interessante é que mesmo sendo mais pesado, ele é bem menos calórico, contendo 450 calorias. O outro prato de 450 gramas garante cerca de 800 calorias", compara.
"Para ajudar uma pessoa magra engordar de forma saudável precisamos calcular o quanto ele gasta de energia diariamente e receitar uma dieta com mais calorias do que esse gasto. E o cardápio precisa ser com coisas que ele goste de comer", argumenta. Vale lembrar que em geral, os magros são pessoas difíceis nesta parte. Enjoam facilmente dos alimentos. "O nutricionista tem que ter paciência e captar o perfil deste tipo de paciente", conclui.
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