24.02.2008 | 03h00
Argolas, labrets bolinha, barbel, captive, alargadores, nostril, banana bell, halteres... Essas palavras soam de modo estranho para você? Pois para quem é adepto dos piercings elas são muito familiares. "Essa mania de furar o nariz, a orelha, os mamilos e as partes mais íntimas do corpo está se tornando cada vez mais popular entre os jovens. Hoje, dificilmente você não conhece alguém que tenha dois, três ou até uma coleção inteira de penduricalhos espalhados pelo corpo", afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.
Piercing é uma palavra inglesa cujo significado é perfuração. "Para o adolescente, o piercing é uma maneira de expressar emoção, angústias, revoltas e outros estados de espírito. É muito popular porque conquistou uma garotada que não tem coragem e nem autonomia para fazer uma tatuagem", explica o médico.
Em São Paulo há uma lei que proíbe a colocação de piercings e a realização de tatuagens em menores de 18 anos, mesmo com o consentimento dos pais. "A legislação se tornou um obstáculo para os adolescentes e um problema também, já que vários resolvem fazer a perfuração de modo caseiro e acabam por machucar o corpo, ao invés de adorná-lo".
Complicações - "É bom estar atento para os perigos de infecção caso a perfuração seja feita de maneira incorreta, com instrumentos inadequados e sem as devidas condições higiênicas", alerta o especialista.
O uso do piercing tem trazido sérios riscos de saúde para os adolescentes. O tempo de cicatrização varia de acordo com a região do corpo e, se não for bem colocado e mantido sob cuidados higiênicos, ele pode provocar complicações, desde reações alérgicas até doenças graves. Em último caso, doenças de todos os tipos podem ser transmitidas, inclusive a Aids, se o material perfurante não for esterilizado ou descartável.
O risco de se contrair uma infecção é muito grande. O acessório pode ainda causar alergia, provocar uma lesão em estruturas como veias ou artérias ou ainda, levando às últimas conseqüências, uma necrose (morte do tecido ou de parte dele) na região. Existem também os riscos específicos de cada tipo de piercing.
"No alto da orelha, por exemplo, por haver baixa vascularização que pode levar à deformação da cartilagem. A haste interna do adereço colocado no nariz pode machucar o septo nasal. No umbigo, o corpo estranho pode provocar a formação de cistos, levando também à necessidade de uma cirurgia", alerta Ruben Penteado.
Quando a colocação do adorno não é bem sucedida, "os primeiros sintomas de infecção são sensação de queimação no local e vermelhidão, seguidos de dor, inchaço e formação de pus. Nunca se deve retirar o piercing sozinho. Um médico deve ser procurado. Ignorar o desconforto e não ficar atento aos sintomas pode levar ao agravamento da infecção", defende o especialista.
Risco de trauma - Ainda que a colocação do piercing seja feita com cuidado e higiene e a cicatrização tenha sido boa, o adolescente está sujeito a sofrer um trauma qualquer em uma danceteria, praticando esporte ou até mesmo dormindo, mesmo tendo passado anos com o piercing, sem apresentar complicações. "Qualquer pequeno trauma, como uma batida ou bolada na região, pode desencadear um processo infeccioso quase impossível de ser combatido", explica o médico.
Isto porque a cartilagem é um local que quase não tem irrigação sangüínea. O tratamento com antibióticos não traz resultados, pois a medicação não chega ao local. "A infecção acaba corroendo a cartilagem, formando buracos no nariz e desfigurando as orelhas. Para corrigir estas deformidades, o paciente tem que se submeter a um enxerto de cartilagem por meio de uma cirurgia plástica reparadora", finaliza Ruben Penteado.
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