11.01.2004 | 03h00
Imagine a festa do ano: todos os amigos estarão no lugar e, possivelmente, até seu (sua) paquera poderá estar no pedaço. No dia tão esperado, surge aquela imensa espinha no meio do seu nariz. Você tenta de todas as formas escondê-la, mas seus esforços são inúteis. O sentimento de revolta começa a martelar na sua cabeça, certo? Agora imagine ter que conviver diariamente com o rosto (e pescoço, costas, ombros etc.) completamente cobertos por espinhas, comedões e grande nódulos, que não só diminuem sua auto-estima como muitas vezes provocam dor. É assim a vida de muitos jovens que convivem com acne nos níveis mais graves e passam por muitas privações por conta da aparência.
O caso da universitária Rosinelly Maria de Oliveira ilustra bem a experiência das pessoas que apresentam o problema. Quando criança ela sempre teve uma pele admirável por todos, como a de um bebê. Aos doze anos, com a chegada da menstruação e a explosão de hormônios do corpo, a situação começou a mudar. "No início era uma espinha no queixo, depois passou a aparecer na testa", conta. Rosinelly percebeu que suas espinhas não eram "normais", porque eram sempre grandes e inflamadas. Na época, começou a usar remédios indicados pelo farmacêutico.
Ilosone Tópico foi a primeira solução que usou no rosto. Sem resultados, passou pela pomada Acnase, Hipoglós com Melhoral, pepino, gema de ovo com trigo, inúmeros tipos de chás, enfim, tentou de tudo para melhorar o aspecto da pele. Com a proximidade do aniversário de 15 anos ela decidiu que era hora de procurar um dermatologista para tratar a pele danificada.
"Ele receitou um antibiótico que secou todas as espinhas. Foi ótimo até quando eu parei de tomar", lembra Rosinelly. Quando abandonou o remédio, a acne voltou em dobro e, para piorar, acabou com o estômago da estudante. "Entrei em crise, não queria mais sair de casa. A doença estava afetando minha auto-estima, chorava sozinha", diz.
Preocupada com Rosinelly, a irmã da jovem acabou levando-a a uma consulta com o ginecologista, que receitou um anticoncepcional para diminuir os nódulos no rosto. Isso foi em 1997, quando Rosinelly tinha 17 anos. Com o medicamento - que ela continua a usar até hoje - as espinhas diminuíram bastante, mas as marcas deixadas pela acne continuavam a incomodar. "Você pode colocar a roupa que for, mas não adianta nada se a cara está um bagaço", confidencia.
Em 2002 ela procurou a dermatologista Débora Ormond e decidiu tratar a pele de verdade. No início, queria apenas tirar as manchas do rosto. A médica explicou que de nada adiantava tratar as manchas se a acne não fosse curada. Usando quase todo o dinheiro do salário, Rosinelly começou o tratamento com um remédio cuja substância ativa é a isotretinoína.
Dos R$ 500 que recebia no emprego, gastava R$ 333 para comprar o remédio, protetor solar e hidratante labial (necessário pois a substância provoca rachaduras na boca). Fez o tratamento durante quatro meses e, neste período, ficou sem dinheiro para outras atividades. "Mas não me arrependo, nem quando o remédio me deixava com dores nas articulações e juntas. Valeu a pena porque minha pele melhorou muito", assegura a universitária.
Em agosto do ano passado, ela fez três sessões de peeling com ácido retinóico para suavizar as manchas que restaram. Cada uma custou R$ 80. "Não chegou à perfeição, mas posso fazer outras sessões. Só falta ter o dinheiro", brinca.
Dos anos em que conviveu com a doença, ela guarda algumas lembranças. Entre elas estão a ausência de fotografias, já que Rosinelly não quis tirar fotos desde que saiu do ensino médio até o fim de 2003, um período de quase cinco anos. Para comemorar a nova pele e os cinco anos de namoro, ela e o namorado fizeram até um book juntos. "Agora voltei a ter uma vida normal. Todos que me conheciam antes do tratamento me elogiam. Também fiquei mais vaidosa", assinala Rosinelly, satisfeita com o resultado do tratamento. Para os que ainda sofrem com a acne, ela tem um conselho: procurar um dermatologista. "Cremes de farmácia e remédios caseiros não adiantam", garante.
Outra garota que seguiu o mesmo tratamento foi a adolescente Flávia França, de 16 anos. Apesar da melhora visível no aspecto da pele do rosto e das costas, o medicamento ocasionou um problema grave no esôfago. "Pelo lado estético foi bom, mas acabei emagrecendo sete quilos em apenas dois meses. Não tinha apetite nenhum", relata. Segundo ela, se as espinhas surgissem novamente, ela utilizaria outro método para eliminar o problema.
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