Publicidade

Cuiabá, Segunda-feira 22/06/2026

Política de MT - A | + A

DEU EM A GAZETA 22.06.2026 | 07h09

Escândalos ameaçam reeleição de deputados em MT

Facebook Print google plus

Reprodução

Reprodução

Alvos de investigações neste ano, quatro políticos de Mato Grosso buscam reeleição em outubro. Os deputados estaduais Valmir Moretto (Republicanos), Elizeu Nascimento (Novo), Faissal Calil (PL) e o deputado federal Juarez Costa (Republicanos) podem ter suas chances de vitória prejudicadas diante da repercussão negativa de terem seus nomes sendo objeto de apuração das autoridades. A nível nacional, 2026 vem sendo um ano marcado por investigações envolvendo políticos, principalmente quando se fala no escândalo do Banco Master.

 

Em março, Moretto acabou sendo alvo da Justiça após viralizar um vídeo no qual o deputado aparece celebrando a empresa de sua família ter ganhado licitação durante assinatura do contrato de pavimentação asfáltica, ao lado do então governador na época, Mauro Mendes (União). Embora a Oeste Construtora esteja no nome de seu irmão, Moretto comentou Duas da Agrimat e uma minha, referente a empresa na licitação, sem saber que estava sendo gravado. Essa fala acendeu o alerta das autoridades, já que a Constituição Federal, no artigo 54, é clara ao proibir qualquer tipo de envolvimento de parlamentares em licitações públicas. Com isso, o Ministério Público solicitou abertura de investigação ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) mediante possível irregularidade e o caso segue sob sigilo.

 

No fim de abril, foi a vez de Elizeu ser objeto de apuração pelo Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do MPE, que deflagrou a Operação Emenda Oculta. Com o cumprimento de buscas em sua residência, o deputado se tornou suspeito de envolvimento em desvio de recursos por meio do direcionamento de mais de R$ 7 milhões em emendas parlamentares aos institutos Social Mato-Grossense (ISMAT) e Brasil Central (IBRACE), cujos valores seriam repassados pela empresa Sem Limites Esporte e Evento LTDA . Movimentações bancárias atípicas levaram as autoridades a desconfiarem do envolvimento do parlamentar e de seu irmão, o vereador de Cuiabá, Cezinha Nascimento (União) no possível ato ilícito. Na casa de Elizeu, foram encontrados mais de R$ 150 mil em espécie. Enquanto o processo está em andamento, o TJ negou o afastamento do deputado de seu cargo na Assembleia, mas determinou a instauração de medidas cautelares.

 

Em junho, a Polícia Federal deflagrou a Operação Gemini, tendo como um dos alvos o deputado Faissal, por suposto envolvimento em vendas de sentenças no TJMT, além da prática de lavagem de dinheiro. A participação do parlamentar como laranja do desembargador aposentado Dirceu dos Santos no esquema, que também é alvo na Operação, foi apontada pela PF, que chegou a identificar mais de R$ 3,2 milhões em saques e depósitos com a quebra de sigilo bancário. O caso também tramita em sigilo e é um desdobramento da Operação Sisamnes, que investiga a suspeita de venda de sentenças e organização criminosa no judiciário.

 

No mesmo mês, o possível recebimento de R$ 30 milhões e um automóvel BMW em propina levou o deputado federal Juarez Costa a ser delatado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), por ex-executivos da concessionária de saneamento básica Aegea. Tais atos ilícitos teriam ocorrido entre 2009 e 2016, período em que era prefeito do município de Sinop. Tanto o NACO quanto a PF investigam o caso.

 

Todos negam nvolvimento

Embora tenham trajetórias políticas distintas, os quatro deputados estão em seus segundos mandatos, Moretto, Elizeu e Faissal pela AL, e Juarez pela Câmara dos Deputados. Em comum, todos os nomes negaram qualquer tipo de ligação nos respectivos casos dos quais são alvos, seja através de publicação de nota, divulgação em vídeo nas redes sociais ou coletiva de imprensa. O fato de se posicionarem e adotarem postura transparente, na visão do jornalista e marqueteiro político, Kleber Lima, é uma das principais estratégias que devem ser adotadas, principalmente por estarem almejando a reeleição.

Para o político, qualquer dúvida que puder ser utilizada como insumo contra ele é negativa, então ele precisa esclarecer. O eleitor decide o voto dele com base na percepção que ele tem da realidade. Uma denúncia, ainda que não seja verdadeira mas se parecer verdadeira para o eleitor, pode ser fatal para o candidato, explica Kleber.

 

Como defesa, Moretto reforçou que a empresa, da qual ele comenta ser sua no vídeo que viralizou, está no nome de seu irmão desde 2018, e ele só fez tal fala naquela ocasião apenas por hábito. Durante entrevista à Rádio Conti, o deputado afirmou ser tal investigação uma difamação contra ele, além de uma distorção acometida pela imprensa.

 

Alegando tranquilidade, Elizeu salientou que os valores apreendidos em sua residência eram quantias de verba indenizatória, salário e aposentadoria da Polícia Militar e que tem o hábito de guardar quantias em espécie em sua casa. Quanto aos valores milionários apurados em emendas, o deputado destacou se tratarem de kits de uniformes de educação física às escolas militares.

 

Crises como essas, segundo Kleber, tendem a causar um menor dano quando o político já tem uma reputação construída ao longo do tempo. Não é uma coisa que ele constrói da noite para o dia, ele constrói na relação e na convivência com o público dele. Às vezes o político está num grau de aprovação ou de acolhimento tão grande que ele cria antídotos naturais,a reputação dele é tão forte que as pessoas rejeitam as denúncias espontaneamente por não acreditarem na possibilidade dele ter feito aquilo, pontua.

 

O único de que divulgou vídeo em suas redes sociais, Faissal reforçou sua atuação de anos como advogado na questão fundiária. A troca de mensagens feita entre ele e o advogado Roberto Zampieri, momentos antes de ser executado, não se tratava da venda de sentenças e sim de uma disputa judicial de terras no município de Ribeirão Cascalheira.

 

Já Juarez, em nota, negou o recebimento dos valores milionários e contestou tal divulgação ter ocorrido em ano eleitoral, sendo que os fatos teriam acontecido há anos. Durante coletiva, o deputado ainda alfinetou seu adversário político de Sinop, ex-deputado Nilson Leitão e que também está na disputa a deputado federal, mediante novamente ter vindo à tona esse assunto.

 

O mais difícil é provar a inocência porque ela depende, às vezes, só de decisão judicial. Então, o que pode ser feito é tentar tirar o foco da denúncia. Mas para isso, o candidato precisa ter um colchão para amortecer aquilo, expôs Kleber. O tempo, nesse contexto,está a favor deles, que têm cerca de quatro meses para trabalhar suas imagens perante o eleitorado mato-grossense até a votação em outubro, ao menos enquanto novos fatos não surjam.

 

Leia a reportagem completa na edição de A Gazeta

Voltar Imprimir

Publicidade

Comentários

Publicidade

Edição digital

Segunda-feira, 22/06/2026

imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
imagem
btn-4

Indicadores

Milho Disponível R$ 66,90 0,75%

Algodão R$ 164,95 1,41%

Boi à vista R$ 285,25 0,14%

Soja Disponível R$ 153,20 1,06%

Publicidade

Classi fácil
btn-loja-virtual

Publicidade

Mais lidas

O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.

Copyright© 2022 - Gazeta Digital - Todos os direitos reservados Logo Trinix Internet

É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.