16.08.2009 | 03h00
Foi em 16 de agosto, há 104 anos, que morria um dos grandes escritores da língua portuguesa, autor de romances de importância reconhecida, como Os Maias entre outros. Além de O Crime do Padre Amaro, considerado por muitos estudiosos em literatura o melhor romance realista português do século 19.
Sobre o escritor luso, a escritora Teolinda Gersão publicou artigo em que afirma em detalhes sua paixão pelo compatriota. "Há três coisas que sempre agradecerei a Eça de Queirós: a primeira é o enorme prazer que a sua leitura me proporciona, sobretudo pela forma espectacular (no sentido literal do termo) com que põe em cena uma sociedade e uma época. A segunda coisa que lhe agradeço é ter-se tornado um traço de união entre o Brasil e Portugal. O Brasil adaptou-o como seu, sem esperar uma reciprocidade. O terceiro motivo pelo qual lhe estou grata é pela sua profunda compreensão do ser humano", escreveu.
Com apenas 16 anos ele saiu de casa para estudar direito em Coimbra, deixando a cidade natal Póvoa do Varzim, ambas em Portugual. À medida que se aproximava da disciplina realista, a sua narrativa foi ganhando limpidez e um humor incomparáveis, especialmente no modo de adjetivar, de apreender a fala viva mesmo no discurso indireto, quanto à sugestão das correlações e dos pormenores. A descrição é outro dos seus méritos narrativos ao lado de uma fina ironia que ronda o sarcasmo.
O próprio Eça de Queiroz certa vez afirmou que "outrora uma novela romântica, em lugar de estudar o homem, inventava-o. Hoje o romance estuda-o na sua realidade social. (...) Toda a diferença entre o idealismo e o naturalismo está nisto. O primeiro falsifica, o segundo verifica." Perseguindo estes princípios e valores foi que ele escreveu as obras-primas do período naturalista, que já se anunciava nas Farpas (1871), e na conferência A Nova Literatura, apresentada no ciclo do Casino Lisbonense, no mesmo ano.
Uma de suas obras primas é Os Maias (1880) nascida por uma série de quadros da Lisboa oitocentista, as suas formas de recreio e de convivência. O escritor, que nesta época era diplomata em Paris, procurava denunciar o vazio espiritual e a ausência de capacidade construtiva nas camadas mais cultas e influentes, ampliando ao mesmo tempo um quadro pessimista sobre toda a sociedade portuguesa daquele período. O elemento fantástico começa por se revelar no exagero caricatural de muitas personagens. O conselheiro Acácio, João da Ega, ou Dâmaso Salcede, todos eles fruto da fantasia satírica que Eça tinha já evidenciado em As Farpas onde colaborou com Ramalho Ortigão.
"Como um dos maiores romancistas do século XIX, Eça de Queirós teve a particularidade de, retratando atmosferas e personagens chave da sociedade portuguesa, dar-nos a conhecer algo mais sobre a nossa mentalidade coletiva", afirma o professor e historiador Jorge Couto.
Publicidade
Publicidade
Milho Disponível
R$ 66,90
0,75%
Algodão
R$ 164,95
1,41%
Boi à vista
R$ 285,25
0,14%
Soja Disponível
R$ 153,20
1,06%
Publicidade
Publicidade
O Grupo Gazeta reúne veículos de comunicação em Mato Grosso. Foi fundado em 1990 com o lançamento de A Gazeta, jornal de maior circulação e influência no Estado. Integram o Grupo as emissoras Gazeta FM, FM Alta Floresta, FM Barra do Garças, FM Poxoréu, Cultura FM, Vila Real FM, TV Vila Real 10.1, TV Pantanal 22.1, o Instituto de Pesquisa Gazeta Dados e o Portal Gazeta Digital.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem a devida citação da fonte.