11.03.2007 | 03h00
Lembro-me que o termo songa-monga era muito usado quando eu estava no colegial. Às vezes parecia ser usado para alguém bobo, ou que não entendia o que estávamos falando, mas também tinha a função de apontar pessoas que se faziam de tontas, parecendo um songa-monga, mas não sendo.
Hoje nossa sociedade é formada por uma grande parte de songas-mongas. São pessoas que reclamam de tudo, telefonam para as associações de bairro para reclamar do asfalto, das luzes queimadas, da sujeira, mas não participam de associação nenhuma, não se engajam em nenhum serviço comunitário e, com um direito que não vem de lugar nenhum, exigem melhorias com ar de vítimas e logo em seguida de coronéis, construindo assim a imagem perfeita de uma sociedade songa-monga metida: a besta!
Graças a algumas pessoas de muita, mas muita boa vontade, que não pertencem a religião nenhuma, nem nenhuma seita ou algum partido político e que, apesar de não rezarem tanto, nem fazerem festinhas folclóricas em palanques, transformam o rumo de ruas, bairros, cidades, e até de um país para melhor,
Muita gente reclama da criminalidade, da bagunça generalizada, mas o tempo desses "reclamadores" só é usado em benefício próprio. Imaginar convidar algum deles para participar de algo comunitário é uma ilusão, pois vão logo recitando os milhões de compromissos inadiáveis que têm no cotidiano. Com cara de bonzinhos dizem que gostariam "muito" de ajudar se não fosse o... blá, blá, blá! Songas-mongas!
O songa-monga não consegue ter uma visão mais ampla da vida. Sua vida se restringe na sua casa, seu trabalho, sua família. Mas quando ele ou alguém que chama de "seu" for assaltado, ou mal atendido num hospital, ou, ou, ou, ah, é esse o momento que ele vira o perfeito songa-monga metido. Com uma arrogância vinda do além, fala, exige e ameaça como se até aquele minuto tivesse realmente colaborado além dos seus interesses pessoais para que o mundo ao seu redor estivesse melhor.
Eu pergunto aqui para meus leitores: quantos de vocês conhecem a Câmara Municipal de sua cidade? Quantos já participaram de alguma sessão da Câmara quando da votação de algum projeto vital que afete de forma significativa sua vida? Provavelmente a resposta é previsível.
Participar das sessões da Câmara é muito chato. Um monte de políticos, geralmente sem preparo, discutindo de forma teatral problemas que nem têm condições de resolver. Mas é nesse turbilhão de acontecimentos que é necessária a presença da população para que pressione e ponha ordem no que realmente nos afeta de forma real no presente e no futuro. Alguém conhece um songa-monga?
E-mail: paposeriomp@uol.com.br
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