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29.06.2003 | 03h00

O vasto mundo dos apelidos

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Chipa, Batata Frita, Macaco, Giganta (sic!), Negão, Tucano, Bola, Piolho, Jamanta, Rolha de Popo, Quatro Olhos.... Todos são apelidos gerados pelas mentes sagazes, astutas e, por vezes, maldosas de crianças e adolescentes. O apelido geralmente nasce em sala de aula, entre os colegas de bairro ou é trazido de casa. Em alguns casos ele é uma maneira carinhosa de tratar o filho, o irmão ou amigo. Em outras (os mais comuns), é uma forma de destacar uma característica física a partir de um olhar crítico e debochado sobre a outra pessoa.

Os apelidos podem ter um impacto positivo ou não, tudo depende de como o apelidado lida com o assunto. Karine Leite de Moraes, de 12 anos, é chamada pelos colegas de Macaco. Apesar de agressivo, até mesmo para quem ouve pela primeira vez, a menina ignora quando é tratada assim. "Não gosto, mas não dou atenção", garante. Para Karine a melhor maneira de agir e não dar ouvidos, para o apelido "não pegar".

Karen Isabelle Gomes Matos, de apenas 10 anos, tem 1,65 de altura. Claro que ninguém deixa passar e logo trataram de apelidar a menina de Giganta, Comprida, coisas do gênero. Ela não gosta, mas atende quando chamam. "Não gosto, pois é dificil arranjar namorado com a minha idade e do meu tamanho", diz. A chateação de Karen só se apresenta quando ela sente ser a altura uma característica que a diferencia do grupo.

A psicóloga infantil Mônica Fernandes de Souza Fernandes sabe o quanto as crianças e adolescentes podem ser cruéis. Atuando na área educacional há mais de dez anos, ela diz que já na primeira série as crianças começam a apelidar os coleguinhas. Segundo ela, os apelidos, assim como outros conflitos do crescimento, fazem parte do processo de desenvolvimento social até a adolescência.

"Podem surgir devido a inúmeros fatores, como falta de habilidade para lidar com o outro, facilidade de descrever em palavras aquilo que aprecia ou não no outro, competição, rivalidade, necessidade de auto-afirmação e baixa estima", revela.

Muitos apelidos não têm uma intenção hostil e não trazem danos a criança ou adolescente, como é o caso do Negão, ou melhor, Ronan Fábio de Arruda, de 15 anos. Ronan é chamado pelos colegas de classe e reconhecido entre alguns professores pelo apelido. Na escola existem muitos negros, mas nenhum tem uma marca tão forte como Ronan. "Não ligo, respondo", diz ele aparentado serenidade.

Toto, como apelidou a avó sem querer, é hoje a forma de tratamento regular que Bruno Rodrigues, 14 anos, recebe em casa e dos colegas que frequentam o ambiente familiar. Mas a coisa tomou uma dimensão tão grande que Bruno até já é apresentado como Toto. "Minha avó uma vez fez uma confusão. Ao invés de me mandar tomar cuidado com um toco, disse rápido: Toto toma cuidado com o Bruno. Aí pegou", conta.

O problema dos apelidos está quando a pessoa que é apelidada não o recebe com animosidade. Até porque muitos apelidos são depreciadores e estão imbuídos de hostilidade. "Para essa pessoas a experiência pode ser amarga e dolorosa, se tratando de um ser humano em formação", diz Mônica. É importante que as pessoas (familiares e educadores) percebam os sentimentos e atitudes da pessoa apelidada. Em alguns casos, o apelido inibe a pessoa a pont de deixá-la isolada, manifestando a longo prazo transtornos psíquicos (depressão, revolta).

Por outro lado existem apelidos que promovem a pessoa e até fortalecem o ego. Esses geralmente são aqueles que a identificam com referências positivas. "Está nas mãos dos adultos a maneira de ajudar o adolescente a conviver em grupo e até mesmo respeitar o outro", diz Mônica.

A psicóloga acrescenta que muitos conflitos nascidos na adolescência tendem a desaparecer na idade adulta. Em alguns casos os apelidos viram marca, um exemplo é o da Xuxa, que poucos sabem que se chama Maria das Graça Meneguel.

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