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10.04.2005 | 03h00

Os prejuízos do barulho

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Pair. Você deve estar se perguntando o que significa essa palavra. Pois bem, essas são as iniciais de perda auditiva induzida por ruído. Ainda não entendeu o que é isso? Você se lembra quando passa mais de oito horas sem parar em uma rave? Ou badalando em uma boate com o som ambiente nas alturas? Ou ainda quando não larga o discman e ainda coloca no último volume? Se a exposição a essa "barulheira" for contínua e excessiva você pode, gradativamente, ter problemas de audição.

A psicóloga Greice Rosa Ponce diz que não há uma explicação específica para adolescentes gostarem tanto de barulho e som alto, e isso é uma verdade que inferniza a vida de muitos pais. "Uma das características dos adolescentes é se rebelar. E escutando música alta ou fazendo muito barulho eles vão contra os princípios sociais impostos". Greice diz também que essa é uma forma de chamar a atenção e de se auto-afirmar. "Nessa fase os jovens estão construindo um perfil, uma identidade. E uma das maneiras que eles escolhem é de contrariar os pais e a ordem social".

É, mas essa rebeldia pode custar caro no futuro. Estudos realizados na Academia Francesa de Medicina apontam o ruído forte como o responsável por grande parte das distúrbios nervosos entre trabalhadores franceses e uma em cinco internações psiquiátricas deveu-se a esse mesmo motivo. Greice concorda com o estudo francês e diz que situações extremas de barulho podem desencadear alguns tipos de perturbações psicológicas.

"Distúrbios psicológicos causados pelo excesso de barulho só ocorrem em situações extremas e em contextos atípicos". A psicóloga afirma que com o passar do tempo e com acompanhamento médico o paciente volta a ter o equilíbrio normal. Mas ela diz que o tratamento é diferente de um caso típico de depressão.

Efeitos - A exposição contínua a níveis de ruído superiores a 50 decibéis (que é unidade usada para medir o som) pode causar um início de deficiência auditiva em algumas pessoas, mas há uma variação considerável de indivíduo para indivíduo. O médico otorrinolaringologista Jazon Baracat indica como limites normais de níveis de ruído em regime de 40 horas semanais, ou seja, oito horas diárias, a convivência com barulhos de 85 a 90 decibéis. Acima desses limites corre-se o risco de perda de audição para conversação e já existe a possibilidade de apresentar lesão, muitas vezes irreversível, levando à perda auditiva

O ouvido humano está preparado para resistir a ruídos de alta intensidade apenas durante curtos períodos. Após pouco mais de uma hora de exposição a sons intensos de aproximadamente de 100 decibéis o sistema nervoso necessita de cerca de 40 horas para se recuperar completamente dessa espécie de trauma. "Muitas vezes os jovens ficam várias horas em uma boate com um nível médio de 100 decibéis. Na hora que eles entram em ambientes sem barulho, como um carro, começam a escutar sons que não existem, uma espécie de zunido. Essa sensação é chamada de perda inicial de audição, mas isso é um estado momentâneo", diz o especialista.

Ele diz ainda que se essa exposição for prolongada o estado inicial pode se agravar.

O barulho é conhecido por ter efeitos nocivos não somente sobre a audição, mas também causa estresse, irritabilidade e perdas momentâneas de memória. A exposição prolongada ao ruído pode causar dores de cabeça, cansaço e elevação da pressão arterial. O barulho pode interferir também no aprendizado de crianças e até mesmo afetar um recém-nascido.

Segundo Jazon o tempo de exposição ao ruído e a intensidade dele podem interferir diretamente na perda de audição. De acordo com a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia, o ruído excessivo também pode causar distúrbios do labirintite, ansiedade, nervosismo, hipertensão arterial, gastrites, úlceras e até mesmo impotência sexual.

Barulho e relaxamento -Luana Costa Braga se diz uma "viciada" em escutar música no celular. Ela passa o tempo todo com o fone do aparelho grudado no ouvido. "Eu gosto de escutar música no celular quando estou na rua, indo para a faculdade, no ônibus, no carro. Só não escuto em casa porque tenho costume de ligar o aparelho de som", diz. Para ela música alta é um tipo de "relaxamento". Mas Luana garante que isso não incomoda os vizinhos. "Quando estou em casa tenho a mania de escutar música alta pois, além de ser uma forma de descansar, as idéias "fluem" mais fácil". Luana diz que nunca teve qualquer tipo de problema de audição.

Mesmo ela não percebendo qualquer efeito nocivo, a longo prazo o excesso de música alta e a exposição diária ao barulho podem provocar alguns efeitos indesejáveis. Por isso é sempre bom prestar atenção ao volume do som e deixar um pouco de lado o discman.

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