02.11.2008 | 03h00
A estudante gaúcha Daniele Vuoto, 22, sentiu as conseqüências do bullying na pele. Ainda criança ela se tornou alvo das humilhações que começaram por causa do seu empenho em defender os colegas que eram motivo de risada. "Eu defendia porque não achava certo. Mas com o tempo, isso virou contra mim. Por ser amiga das vítimas, passei a ser uma", conta.
Depois disso os agressores começaram a usar desculpas banais para justificar a perseguição. A pele muito branca, o cabelo louro, as notas altas e o fato de Daniele ser magra eram os pontos mais enfatizados pelos outros alunos. A garota começou a perder o controle sobre a situação aos nove anos, quando o avô faleceu e os casos de desemprego na família trouxeram dificuldades econômicas. Os problemas familiares e as ofensas sofridas na escola deixaram a estudante ainda mais triste e sensibilizada.
O rendimento escolar de Daniele começou a diminuir e, preocupados, os pais trocaram a filha de colégio várias vezes. Mas as agressões continuaram. "Eu me culpava pelas humilhações. Pensava que eu era realmente estranha. Só depois percebi que é um erro pensar assim", explica a garota.
O bullying trouxe momentos complicados para Daniele. Aos 16 anos ela abandonou os estudos porque não tinha condições físicas nem psicológicas para continuar na escola. O início do tratamento foi conturbado. A estudante recebeu medicações erradas e passou por uma internação psiquiátrica desastrosa. "Eu sentia medo de tudo e de todos. Precisei aprender a andar na rua novamente".
Para não preocupar os pais, Dani, como gosta de ser chamada, escondeu a situação por muito tempo. Várias crianças e jovens adotam o mesmo comportamento. "Atitudes como essa não ajudam. O silêncio só prolonga a dor. É melhor contar cedo e evitar dores maiores". A estudante acredita que demorou muito para buscar ajuda. Quando seus pais souberam, o estrago já estava feito.
A superação veio através do tratamento psicológico, dedicado especialmente a trabalhar a auto-estima. Dani também realizou pesquisas sobre o assunto e assumiu o compromisso de criar um site para ajudar pessoas com o mesmo problema. Aos 19 anos, quando recebeu alta do tratamento, ela criou o blog No more bullying para dividir experiências com outras pessoas.
Através do blog Daniele utiliza sua experiência para aconselhar os jovens que são vítimas de bullying. "Tento mostrar que não é vergonha ser vítima de bullying e que pedir ajuda é o diferencial para quem quer voltar a ter uma vida normal. É muito importante conversar com os pais e buscar auxílio de um psicólogo". Para a estudante, os pais devem cobrar providências da escola, mas precisam estar bem informados sobre o assunto. Quem quiser conhecer um pouco mais sobre a vida de Daniele Vuoto pode acessar www.nomore bullying.blig.ig.com.br (LC)
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