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GATILHOS DA DOENÇA 04.03.2026 | 10h11

Famosas com alopécia ascendem alerta

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Reprodução/ Instagram

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Você percebeu cabelos no travesseiro, no chão, no ralo do chuveiro ou na mesa de trabalho? Se a resposta for sim, pode ser hora de procurar um médico e tricologista, pois esses são alguns sinais de alerta para a alopecia, popularmente conhecida como calvície.

 

A condição, que provoca queda progressiva de cabelo, tem ganhado cada vez mais espaço nas discussões, especialmente após relatos de celebridades sobre o problema.

 

Recentemente, a cantora Maiara, da dupla com Maraisa, revelou que foi diagnosticada com alopecia androgenética, ajudando a dar visibilidade a uma condição comum, progressiva e muitas vezes silenciosa entre as mulheres.

Mas ela não é a única. Outras famosas, como Gretchen, Juliette Freire e Xuxa, também já falaram publicamente sobre experiências com queda capilar.

 

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Para entender melhor as causas da alopecia, os sinais de alerta e as possibilidades de tratamento, o R7 Entrevista conversou com o médico e tricologista Luciano Barsanti, presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia e diretor médico do Instituto do Cabelo, em São Paulo.

 

A tricologia é um segmento da medicina dedicado ao estudo do couro cabeludo e dos fios. A área é focada nos problemas, nas doenças, no diagnóstico e no tratamento do cabelo e dos pelos.

 

Segundo o especialista, não existe um número exato de fios que determine quando a queda de cabelo é considerada normal, pois isso depende da proporção.

 

“Se você perde dois cabelos por dia e não repõe nenhum por alguma razão, em dois anos você está com buraco na cabeça. Então depende da reposição do ciclo do seu cabelo. Se o seu ciclo é normal, você tem reposição normal. Não importa o cabelo que cai, importa o que nasce.”

 

No entanto, ele explica que alguns sinais do dia a dia podem indicar que a queda deixou de ser considerada comum.

 

“O anormal é quando você percebe cabelos no travesseiro, no ralo do chuveiro, no chão da casa, na roupa, na mesa de trabalho, na escova, no pente, na pia do banheiro. Se você está vendo isso, é uma queda anormal.”


Mas quais são os tipos de alopecia?
De acordo com o especialista, a alopecia pode ser classificada em dois grandes grupos — cicatriciais e não cicatriciais — o que influencia diretamente nas possibilidades de tratamento e recuperação dos fios.

 

Segundo Luciano Barsanti, existem diversos tipos de alopecia não cicatricial, muitas vezes associadas a fatores hormonais, emocionais, nutricionais ou até hábitos do dia a dia.

 

1. Alopecia androgenética
É o tipo mais frequente da condição e, segundo o especialista, cerca de oito em cada dez homens e cinco em cada dez mulheres desenvolvem esse tipo de calvície ao longo da vida.

 

Entre os fatores associados estão tabagismo, consumo de álcool e estresse, que podem funcionar como gatilhos para o surgimento ou agravamento do problema.

 

 

2. Alopecia metabólica
Está relacionada a alterações hormonais do organismo, como problemas na glândula tireoide. Nas mulheres, a síndrome dos ovários policísticos também pode desencadear alterações hormonais e funcionar como causa ou fator desencadeante desse tipo de calvície.

 

3. Alopecias de origem psiquiátrica
Um exemplo é a tricotilomania, transtorno caracterizado pelo impulso de arrancar os próprios fios de cabelo. Outro quadro relacionado é a anorexia nervosa.

 

4. Alopecia nutricional
Surgem principalmente em situações de dietas muito restritivas. O especialista também aponta que o uso indiscriminado de canetas emagrecedoras pode estar associado à queda de cabelo quando ocorre perda rápida de peso ou deficiência nutricional.

 

5. Corte químico
Procedimentos químicos mal realizados ou excessivos podem provocar o chamado corte químico, uma reação que causa quebra e queda dos fios e pode evoluir para áreas de calvície.

 

6. Alopecia após quimioterapia
Acontece porque alguns medicamentos usados no tratamento do câncer afetam diretamente as células responsáveis pelo crescimento dos fios.

 

7. Alopecia areata
É caracterizada pelo surgimento de falhas circulares no couro cabeludo. Essas áreas podem se ampliar ou se unir, levando à perda de grandes porções de cabelo.

 

Trata-se de uma doença autoimune, em que o próprio organismo ataca o folículo capilar. Apesar disso, o dano costuma ser reversível, permitindo a recuperação dos fios com tratamento adequado.

 

8. Alopecia por tração
Ocorre quando há tensão excessiva nos fios por longos períodos. Entre as principais causas estão alongamentos capilares, extensões, rabos de cavalo muito apertados, tranças e penteados que puxam excessivamente o cabelo.

 

9. Infecções e doenças virais
Entre os exemplos estão casos associados à síndrome da Covid longa, que pode provocar perda capilar mesmo meses após a infecção por Covid-19. Outra doença citada é a dengue, que também pode causar queda significativa de cabelo durante ou após o período de recuperação.

 

Mas e as alopecias cicatriciais?
São consideradas mais raras e também mais graves, pois provocam a destruição permanente do folículo capilar, o que impede o crescimento de novos fios na área afetada.

 

Entre alguns exemplos citados pelo especialista estão o lúpus discoide, a pseudopelada de Brocq e a alopecia cicatricial frontal progressiva, condições que podem causar perda capilar definitiva e exigem diagnóstico médico especializado.

 

Como é feito o diagnóstico?
Antes de indicar qualquer tratamento, o primeiro passo é identificar a causa da queda capilar.

 

“Primeiro há uma entrevista clínica com o paciente, chamada anamnese clínica, onde perguntamos sobre a queixa, modo de vida, alimentação, estresse, infecções, trabalho e antecedentes familiares. Depois passamos para a área especializada tricológica, o que chamamos de propedêutica armada.”

 

No Instituto do Cabelo, ele explica que dois equipamentos são fundamentais para o diagnóstico: o scanner do couro cabeludo, que aumenta até 30 mil vezes a área externa para identificar infecções, afinamento ou desnutrição dos fios; e o microscópio de tela, que amplia o bulbo capilar em até 10 mil vezes, permitindo analisar sua integridade e composição.

 

Dr. Luciano complementa: “Então o diagnóstico médico em tricologia reúne a anamnese clínica, a anamnese tricológica e exames laboratoriais, como bioquímicos, de sangue e de imagem. Com tudo isso eu faço um diagnóstico e, no momento que eu tenho o diagnóstico do tipo de alopecia que você tem, eu corrijo tudo.”

 

Como é feito o tratamento?
Após o diagnóstico, o tratamento é definido de acordo com o tipo de alopecia identificado. No caso das alopecias não cicatriciais, o especialista explica que a abordagem costuma ser feita por métodos não invasivos.

 

“As técnicas não invasivas incluem a estimulação do couro cabeludo por microcorrentes — uma técnica elétrica, indolor, e aplicada localmente —, a oxigenação do couro cabeludo por meio de aplicação de oxigênio em alta concentração e o uso de laser. Além dessas técnicas, existe um procedimento avançado chamado ionização, que consiste em pulverizar o couro cabeludo com ativos naturais, sem produtos químicos ou hormônios, e com carga elétrica negativa".

 

Veja a entrevista na íntegra com o o Dr. Luciano Barsanti
R7 - Quais são os tipos de alopecias?

 

Dr. Luciano Barsanti - As alopecias, clinicamente, se dividem em alopecias cicatriciais e não cicatriciais. As alopecias não cicatriciais são aquelas que, com prevenção e tratamento, pode haver recuperação. Já as alopecias cicatriciais são um capítulo muito triste da tricologia, pois sempre são causadas por um gatilho psíquico ou psiquiátrico e, frequentemente são evolutivas: só pioram e não têm recuperação capilar.

 

R7 - Como é feito o diagnóstico das alopecias?

Dr. Luciano Barsanti - Primeiro há uma entrevista clínica com o paciente, isso chama-se anamnese clínica: perguntas sobre a queixa, modo de vida, alimentação, estresse, infecções, antecedentes familiares. Aí ele passa já para a área especializada tricológica, o que a gente chama de propedêutica armada.

 

Aqui no Instituto do Cabelo, a gente dispõe de dois equipamentos fundamentais para diagnóstico. Um é o que a gente chama de scanner do couro cabeludo, que aumenta até 30 mil vezes o couro cabeludo e os fios. Aí você vê a área externa do couro cabeludo, se tem infecção, se tem fungos, se o cabelo tá afinando. E outro equipamento fundamental é o microscópio de tela. A gente tira um cabelo com o bulbo e passa para uma lâmina que é vista no microscópio. Então a gente consegue ver se esse bulbo tá limpo, se ele tá atrofiado, se ele tá deformado ou se não tem bulbo.

 

Então o diagnóstico médico também inclui os exames laboratoriais para ver se a pessoa tem uma anemia, uma deficiência de vitamina, uma alteração renal, e os exames de imagem para ver se a tireoide está bem, se o fígado está bem, e assim por diante.

 

R7 - Como é feito o tratamento das alopecias?

 

Dr. Luciano Barsanti - O tratamento das alopecias não cicatriciais ocorre de forma não invasiva, ou seja, sem agulhas, injeções, implantes, microagulhamento, mesoterapia ou PRP, que não têm resultados comprovados e podem causar complicações graves, como dor, sangramento, infecções e até perda irreversível dos fios.

 

As técnicas não invasivas incluem estimulação do couro cabeludo por microcorrentes, oxigenação tópica em alta concentração, laser e um procedimento avançado chamado ionização, no qual o couro cabeludo é pulverizado com ativos naturais, sem nada químico ou hormonal, com carga elétrica negativa.

 

R7 - Quando o transplante capilar começa a ser recomendado?

 

Dr. Luciano Barsanti - A minha metodologia é não invasiva, então sem implantes. Não sou contra o transplante capilar, sou a favor quando é bem indicado e realmente necessário.

 

O transplante tem contraindicações médicas absolutas. Primeiro, idade: nunca se faz em pacientes menores de 30 anos, porque ainda há perda progressiva de cabelo pela alopecia androgenética.

 

Em mulheres, geralmente não se recomenda por duas razões: a falha da mulher muitas vezes é por alopecia cosmética de tração, então, mesmo transplantando, ela continuará tracionando e perdendo cabelo. Além disso, a alopecia androgenética feminina é espalhada por toda a cabeça, então o bulbo transplantado continua sendo atacado pelo hormônio DHT e cai com o tempo.

 

Também é absolutamente contraindicado em pacientes com alopecia cicatricial ou alopecia areata, que são doenças autoimunes.

 

É importante lembrar que o transplante é uma cirurgia longa, de 8 a 10 horas, com os riscos típicos de qualquer operação, como infecção e sangramento, especialmente em pacientes diabéticos ou com problemas cardíacos.

 

Outro ponto crucial: o transplante não dispensa o tratamento do couro cabeludo e o uso de medicação para calvície. Sem isso, o cabelo continuará caindo.

 

R7 - Qual é a diferença entre queda capilar normal e alopecia?

 

Dr. Luciano Barsanti - Não existe uma quantidade em número absoluto de queda de cabelo normal, porque depende da proporção. Se você perde dois cabelos por dia e você não repõe nenhum por alguma razão, em dois anos você tá com buraco na cabeça, com falha. Então depende da reposição do ciclo do teu cabelo. Se teu ciclo do cabelo é normal, você tem reposição normal, não importa o cabelo que cai, importa o cabelo que nasce.

 

O anormal é quando você percebe cabelos no travesseiro, no ralo do chuveiro, no chão da casa, na roupa, na mesa de trabalho, na escova, no pente, na pia do banheiro. Então, se você está vendo isso, é uma queda anormal, corre pro seu médico e tricologista o mais rápido possível.

 

E existem períodos do ano, que não são ligados à estação, que cai mais fios de cabelo, porque é o momento da fase da troca. O cabelo que já terminou o seu ciclo de crescimento cai para dar um novo espaço para outro fio novo nascer. Cada fio tem um timing de crescimento, um ciclo diferente do outro, porque senão o ser humano um ano seria careca e o outro ano teria cabelo.

 

R7 - Existem recomendações específicas para quem usa frequentemente prótese capilar, lace ou mega hair?

Dr. Luciano Barsanti - Lace e mega hair são contraindicados mesmo para pessoas que têm calvície por causa da tração. Não sou contra perucas, desde que sejam de encaixe. O problema é colar próteses, porque isso favorece proliferação de fungos e bactérias.

 

 

 

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