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conheça a história 08.05.2020 | 16h05

Fábio Jr. já cantou sob o pseudônimo Mark Davis

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A indústria da música no Brasil, nos anos 70, tinha algumas coisas muito loucas e uma delas era lançar no mercado artistas cantando em inglês. E com nomes estrangeiros. Assim, surgiram Don Elliot, Steve McLean, Richard Young, Lee Jackson, Paul Denver, Tony Stevens, Morris Albert, Gretchen, entre outros. Detalhe: todos eram brasileiríssimos. Foi nesse cenário que surgiu um certo Mark Davis, que fez algum sucesso no seu início de carreira mas que ficou mais famoso pouco tempo depois, quando passou a cantar em português sob o nome de Fábio Jr, que faz uma live no R7 nesta sexta, às 21h30.

 

Sim, é isso: o jovem Fábio Jr., no início dos anos 70, estreou no mundo da música com um outro nome e como se fosse um artista estrangeiro. Como Mark, Fábio cantou durante um tempo na banda chamada Uncle Jack, mas logo saiu solo. O nome do cantor, Fábio conta que encontrou num livro, achou legal e adotou. Mais do que cantar em inglês, vários artistas dessa época, inclusive Fábio, tentavam se passar mesmo por estrangeiros. Não davam entrevistas, não falavam português em público e se viravam com um embromation mesmo, já que muitos não dominavam o idioma.

 

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Esse truque usado pelas gravadoras — lançar artistas brasileiros como se fossem estrangeiros — era uma estratégia para tentar, obviamente, vender discos. As músicas em inglês e, em especial, as americanas tocavam muito no Brasil via rádios e também em trilhas sonoras de novelas. As canções pop vindas dos EUA bombavam e era muito mais fácil vender discos nesse idioma. Assim, havia uma indústria de produtores, músicos e compositores brasileiros especializados em criar esse tipo de música. Essas canções, em geral, lembravam muito as lá de fora, tanto em termos de letra como de arranjos. E, para cantar, as gravadoras chamavam esses artistas desconhecidos que estavam começando. Muitos regravavam músicas de sucesso estrangeiras da época, com músicos brasileiros e muito parecidas com as originais, só que sem a banda ou artista que as compuseram de verdade. Para lançar a canção era só criar um nome genérico e em inglês para o artista, como aqueles citados lá no primeiro parágrafo do texto.

 

Assim, as gravadoras podiam ganhar em cima dos grandes hits do momento, mas sem pagar rios de dinheiro em direitos autorais, já que eram apenas versões feitas por aqui mesmo.

 

DE MARK PARA FÁBIO JR.

Voltando ao Fábio Jr.: como a gravadora viu que ele ia bem como Mark Davis, logo se desvencilhou da banda Uncle Jack e virou um cantor solo. Ele gravava músicas feitas por outros compositores. Mark teve alguns compactos lançados com músicas como Rain and Memory, I Want To Be Free Again e Don’t Let Me Cry. Esta última foi, sem dúvida, seu grande sucesso. Fez parte da trilha sonora da novela A Barba Azul, de 1974 e exibida pela TV Tupi.

 

Tudo ia bem na carreira do jovem cantor “estrangeiro” e a gravadora queria mesmo investir nele. A ideia é que ele assumisse essa persona de Mark Davis publicamente e passasse a se apresentar assim nas TVs, por exemplo. Só tinha um probleminha: Fábio não estava a fim de ser Mark Davis. O que ele queria mesmo era usar o seu próprio nome, além de cantar e compor em português. Aliás, isso ele já fazia na época.

 

Daí, a partir de 1976, Mark Davis sumia para dar espaço a Fábio Jr. Já com o nome definitivo, nesse mesmo ano saia seu primeiro álbum homônimo. E aí, o restante da trajetória muita gente já conhece.

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