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entenda o que é a doença 23.07.2026 | 14h57

Juliette foi diagnosticada com endometriose inicial

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Reprodução @juliette

Reprodução @juliette

Endometriose frequentemente passa despercebida, resultando no atraso do diagnóstico e na piora da gravidade do quadro.

A ex-BBB Juliette revelou nas redes sociais que foi diagnosticada com endometriose após passar por uma série de exames.

 

"Quando passei mal por conta do fígado, um, dois meses atrás, fui fazer um check-up e, em um dos exames, deu endometriose. Pedi uma segunda opinião, falei com minha ginecologista e com uma médica especialista para fazer análise do laudo e realmente tem", disse a artista. "Segundo as médicas, está no início, pouquinho e não é em um lugar que tenha alguma grande questão. Eu não tenho tantos sintomas, não sinto tanta dor. O que eu sinto é inchaço e um pouco de dor", acrescentou.

 

A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta milhões de mulheres e figura como a principal causa de infertilidade feminina. "Na endometriose, as células do endométrio, mucosa que reveste a parede do útero, crescem fora da cavidade uterina.

 

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A condição pode provocar cólicas incapacitantes, dor pélvica, dor durante a relação sexual, alterações intestinais e urinárias e dificuldade para engravidar”, diz a ginecologista Dra. Ana Paula Fabricio, com Título de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia (TEGO). Ao se espalharem pelo aparelho reprodutivo, as células do endométrio dificultam desde a fertilização do óvulo até a implantação do embrião.


Estima-se que hoje há um cenário de subdiagnóstico da doença, o que se deve principalmente à negligência dos sintomas, que, muitas vezes, passam despercebidos. “A endometriose tem como principal sintoma dor pélvica intensa, que geralmente não recebe atenção por ser confundida com cólicas menstruais. Isso faz com que o diagnóstico da condição seja realizado muito tardiamente, quando as mulheres encontram alguma dificuldade para engravidar”, detalha o Dr. Rodrigo Rosa, especialista em reprodução humana e diretor clínico da clínica Mater Prime, em São Paulo.


Por esses motivos, apesar de surgir geralmente de forma leve durante a adolescência, a endometriose, muitas vezes, só é diagnosticada na fase adulta. “Então, o acompanhamento ginecológico regular é fundamental para qualquer mulher, mas, principalmente, para mulheres que fazem uso de pílula anticoncepcional e outros métodos contraceptivos, afinal, é a melhor maneira de detectar uma condição como a endometriose precocemente, o que aumenta as chances de tratamento e evita complicações”, pontua o ginecologista Dr. Nélio Veiga Junior, pós-doutorando em Menopausa, com foco em saúde hormonal e qualidade de vida da mulher no climatério.


O Dr. Nélio explica que a doença ainda não possui causa definida, estando relaciona a fatores genéticos e imunológicos, ou seja, uma resposta imunológica que desencadeia inflamação. Logo, torna-se muito difícil falar em prevenção. "Mas tem tratamento, que é indicado de acordo com a gravidade da endometriose e as características individuais da paciente", diz o ginecologista. A Dra. Ana Paula Fabricio explica que o tratamento da endometriose envolve, além de mudanças de estilo de vida, otimizar as alterações hormonais e o uso de analgésicos e anti-inflamatórios. “Em casos mais graves, o tratamento cirúrgico pode ser indicado”, acrescenta a médica.


Caso a mulher deseje engravidar, o médico também poderá recomendar um especialista em reprodução humana. “Inclusive, muitas mulheres só descobrem que tem endometriose quando encontram alguma dificuldade para engravidar”, afirma o Dr. Rodrigo. E o diagnóstico tardio reduz as chances de sucesso dos tratamentos de fertilidade, como a Fertilização In Vitro.

 

“O tratamento cirúrgico da endometriose é realizado por meio da laparoscopia, procedimento minimamente invasivo que visa eliminar os cistos causados pela doença”, afirma o Dr. Rodrigo, que ainda reforça que, ao contrário do que muitos pensam, a gravidez, apesar de ajudar na prevenção da doença, não é capaz de curar a endometriose. “O que acontece é que as mudanças hormonais que ocorrem na gravidez podem ajudar a diminuir os sintomas e controlar a endometriose. Mas a gestação não cura a doença”, esclarece o especialista.

 

Como a endometriose é uma doença crônica, o tratamento não é definitivo, atuando apenas no alívio dos sintomas e controle da doença. Logo, os sintomas e a dificuldade de engravidar podem retornar após algum tempo. “Além disso, apenas 50% das pacientes tratadas por meio da laparoscopia possuem chances de engravidar futuramente”, alerta.


Em alguns casos, a cirurgia da endometriose pode ser um problema para mulheres que ainda desejam engravidar. “No caso de retirada de endometriomas, que são cistos de endometriose nos ovários, o procedimento pode causar danos, por exemplo, ao tecido ovariano, assim resultando na perda dos folículos ao redor e, consequentemente, na diminuição da reserva ovariana em até 70%”, diz o Dr. Rodrigo Rosa.

 

Então, para mulheres que serão submetidas ao procedimento e desejam engravidar posteriormente, é sempre aconselhado que preservem a fertilidade através do congelamento de óvulos para garantir a possibilidade de gravidez no futuro. “O congelamento de óvulos, também conhecido como criopreservação, consiste no congelamento dos óvulos em nitrogênio líquido na temperatura de -196°C, o que inativa seu metabolismo sem prejudicar sua viabilidade”, explica o Dr. Rodrigo

Rosa, da Mater Prime, que explica que o custo do congelamento de óvulos depende do protocolo de estimulação ovariana, da dose total dos hormônios utilizados, da quantidade de óvulos coletados, do procedimento de vitrificação e do tempo de armazenamento contratado.


Dessa forma, com o congelamento, mesmo que a reserva ovariana da mulher seja afetada pela cirurgia, ainda existe a possibilidade de gravidez através da Fertilização In Vitro. Mas é importante enfatizar que isso não quer dizer que a cirurgia não seja indicada para mulheres que ainda desejam engravidar. “Em muitos casos, a cirurgia pode sim contribuir para melhora da fertilidade. O mais importante então é que a indicação do tratamento seja individualizada caso a caso. Por exemplo, a intervenção cirúrgica pode não ser indicada para pacientes que já possuem baixa reserva ovariana, que pode ser avaliada através do ultrassom transvaginal e do exame de hormônio anti-mülleriano (AMH)”, finaliza o Dr. Rodrigo Rosa.

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