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cinema 15.10.2019 | 11h28

Coringa é filme de HQ para quem não gosta de filmes de quadrinhos

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Tem por aí um monte de pessoas que simplesmente detestam filmes de super-heróis vindos dos quadrinhos. Fogem desses longas da Marvel e DC como vampiros correm de alho e estão 100% do lado do diretor Martin Scorsese, que detonou duas vezes nos últimos dias essas produções com gente fantasiada. Bem, Coringa, que está nos cinemas brasileiros, traz uma boa notícia para esse grupo: o filme não tem NADA a ver com esse universo e até Scorsese vai achar bom.

 

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A primeira coisa a se dizer sobre o filme é Joaquin Phoenix. O cara é um verdadeiro monstro, um ator quase sem igual em sua geração, um sujeito que faz coisas na tela que praticamente ninguém mais consegue. Sua atuação em Coringa é um negócio de louco e só alguém com muita técnica é capaz de atuar dessa maneira. Muito mais magro que seu habitual, Phoenix cria um personagem que vai se transformando ao longo do filme, que vai se aprofundando cada vez mais em sua loucura e que atinge níveis psicóticos inacreditáveis. A risada macabra do palhaço nem é apenas um deboche, mas sim uma doença, uma síndrome.

 

Muita gente acreditava que seria muito difícil de atingir o nível de interpretação que Heath Ledger deu ao personagem em Batman: O Cavaleiro das Trevas, em 2008. Ledger deu um novo tom ao Palhaço do Crime, também muito perturbador, mas Joaquin leva o distúrbio a outro nível. É que neste novo filme, não há Batman (embora sua presença seja sentida), não há Comissário Gordon, não há um grande crime a ser cometido, um assalto a banco ou coisas assim. Arthur Fleck, o nome verdadeiro do personagem aqui, é a única ameaça. Sua existência e sua condição mental é que são as questões apresentadas ao público.

 

Fleck é uma pessoa com diversos problemas psicológicos e existenciais. Um doente que vive numa Gotham (Nova York, na verdade) dos anos 1970 suja, com grande desemprego, em crise constante. Ele é um pária que atual como palhaço num subemprego daqueles que pagam mal e sem reconhecimento algum. Cada vez mais esquecido por todos, sem tratamento, sem perspectiva e com um aprofundamento de sua própria questão mental, Fleck acaba, invariavelmente, cometendo crimes. Sua descida ao caos absoluto é algo irreversível e Phoenix mostra isso como um processo doloroso e cheio de agonia.

 

A direção de Todd Phillips é outro ponto alto de Coringa. Quando ele foi anunciado no cargo muita gente torceu o nariz. É que ele havia feito até então os três Se Beber, Não CaseUm Parto de ViagemCaindo na Estrada, ou seja, apenas comédias. E colocá-lo para comandar um filme do Coringa que não tem o Batman parecia uma aposta estranha. Bem, parece que quem reclamou não poderia estar mais errado. Phillips brinda o olhar do espectador com imagens belíssimas e cenas impactantes, mas que não lembram em momento algum um filme tradicional de quadrinhos. Há partes altamente incômodas do filme que, eventualmente, podem até assustar aquela pessoa que foi ver Coringa imaginando algo na linha de um Batman v Superman ou mesmo de Esquadrão Suicida — onde o Palhaço do Crime também aparece, só que interpretado por Jared Leto. A direção de Phillips junto com a atuação de Phoenix mostram que entramos num patamar diferente de adaptações de HQs.

 

 

Aliás, Coringa não adapta quadrinho nenhum do personagem. É uma história totalmente original que usa o personagem da HQ para levar às pessoas um tema que aflige o mundo em que vivemos hoje. O que leva uma pessoa a se transformar num assassino em massa? O que faz com que ela mate? Quais as condições para que isso aconteça? É uma questão pessoal ou um produto do meio? Ou os dois? Nenhum?

 

Coringa é uma obra fechada que não terá continuação. É como se fosse uma edição especial de quadrinhos em que um autor dá sua versão do personagem. Vai virar uma relíquia no mundo das HQs no cinema e que até Scorsese vai ficar feliz em ver.

 
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