10.12.2015 | 00h00
Acho que tudo em excesso faz mal à nossa saúde. No caso específico de altas temperaturas, como as de Cuiabá, o sofrimento é intenso e generalizado. Há tempos os cientistas vêm alertando aos nossos governantes para o aquecimento do nosso planeta Terra, porém, em vão. O meio ambiente continua sendo violentado em nome do progresso. O velho é mais sensível às elevações térmicas, e se mostram prostrados e muito mais sujeitos às crises hipertensivas, ataques cardíacos e desidratações súbitas.
Aqueles um pouco mais abastados investem em aparelhos de ar condicionado, arcando com as contas exorbitantes da empresa fornecedora de energia elétrica.Sair à rua para um papo com amigos é proibitivo. A solução é permanecer o maior tempo possível em ambientes refrigerados e com um mínimo de desgaste energético.
Todos os nossos desejos parecem inibidos com esse verão-primavera, e a inércia é a grande aliada nesses momentos, principalmente no caso de idosos. O desânimo produz o embotamento das funções cerebrais para atos prazerosos como ler, escrever, enfim, para atividades criativas em geral.
A leitura de um bom livro fica inviabilizada pela moratória cerebral. As notícias televisivas sempre repetitivas e, principalmente, desconcertantes, nos enchem de tédio e de revolta.Ministros fritados, as investigações sem fim da Polícia Federal e do Ministério Público e a crise financeira cada vez maior, são motivos de desalento.
Agora, para completar o nosso desespero, a implantação do governo paralelo e a barbárie terrorista em Paris, com mais de cem mortos e mais de trezentos feridos. Realmente o clima não está saudável para os velhos, agravado pela crise financeira política e ética que nos assola.
Isso sem falar no terrorismo internacional que a todos afeta.Como bem diz a Marina Silva, estamos sendo governados pelos marqueteiros que ganharam as eleições, empurrando ladeira abaixo o esforço do trabalhador brasileiro.
Marqueteiro ganha eleição, mas, quem governa uma nação é um conjunto de cidadãos comprometidos com o bem público, e não, focados em interesses pessoais acima de tudo.Precisamos de um entendimento entre pessoas para sair da crise em que fomos mergulhados. E o calor causticante continua tirando o nosso bom humor genético.
Neste momento, uma chuva refrescante, não só de água, mas também de entendimento, faria muito bem, não somente a nós idosos, mas, principalmente, ao país como um todo.
Gabriel Novis Neves é médico em Cuiabá e escreve em A Gazeta às quintas-feiras.
E-mail: borbon@terra.com
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