17.03.2025 | 08h38
Divulgação
Não importa se eram 18 ou 400 mil pessoas em Copacabana. O que importa é que ainda temos manifestações em prol de golpistas condenados pelo ato do dia 8 de janeiro — e o pior: com apoio de militantes e políticos de Mato Grosso, que colocaram o Estado em um papel vexatório. Ali estavam representantes endossando um ato pelo perdão de pessoas que marcaram um dos dias mais amargos da política brasileira.
Entre as autoridades mato-grossenses que fizeram questão de estar ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro nesse domingo (16), em Copacabana (RJ), estavam o governador Mauro Mendes (União Brasil), sua esposa Virgínia Mendes, o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o chefe da Casa Civil, Fábio Garcia (União Brasil), o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), além dos deputados federais José Medeiros (PL) e Coronel Assis (União Brasil).
Até mesmo políticos sem mandato, que não conseguiram se reeleger e hoje se contentam com suplências temporárias na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), garantiram espaço no trio elétrico, dividindo o palco com outras figuras da extrema-direita e simpatizantes.
Sorridentes, vestidos com camisetas verde e amarelo, como manda o figurino, eles posaram para fotos ao lado do ex-chefe do Planalto, garantindo material para alimentar as redes sociais. Mas não se trata apenas de likes e engajamento. Para algumas dessas figuras, estar ali é uma estratégia clara para manter vivo seu capital político entre os bolsonaristas e pavimentar o caminho para as eleições de 2026.
Mas vamos ao que interessa: o ato. Como reagiriam as autoridades mato-grossenses se manifestantes invadissem o Palácio Paiaguás, sede do governo estadual, ou o Palácio Alencastro, sede da Prefeitura de Cuiabá, e fizessem o mesmo que foi feito em Brasília? Será que pediriam anistia se caso depredassem a Assembleia Legislativa?
O argumento da direita é que o Supremo Tribunal Federal (STF) exagera ao condenar os responsáveis pelos ataques de 8 de janeiro. Mas qual seria a pena justa para crimes como depredação do patrimônio público e tentativa de subverter a democracia? Dois meses de serviços comunitários? Pagamento de cestas básicas?
Por se tratar de um crime federal, os julgamentos ocorrem no STF. Mas se, em um cenário hipotético, cada estado fosse responsável por julgar seus próprios réus, Mato Grosso questionaria as decisões de seus magistrados?
Durante o discurso em Copacabana, Bolsonaro citou cinco mulheres condenadas ou aguardando julgamento, incluindo Débora Rodrigues dos Santos, acusada de escrever “perdeu, Mané” na estátua da Justiça, em frente a Suprema Corte. O ex-presidente sugeriu que ela receberia uma “pena pesada”, descrevendo-a como uma vítima do sistema.
De fato, a pichação é um ato menor perto da destruição que aconteceu na sede dos Três dos Poderes. Mas se Débora e os outros condenados hoje enfrentam penas severas, é porque se deixaram usar como “soldados” de uma trama golpista que fracassou.
Enquanto isso, Bolsonaro segue sua cruzada pela anistia, tentando reescrever os eventos de 8 de janeiro como se fossem apenas um equívoco de cidadãos de bem. Mas a história não se apaga com discursos ou manifestações ensaiadas.
Se houve uma tentativa de golpe, os responsáveis — dos executores aos incentivadores — precisam responder por seus atos. Afinal, se não houver consequências, qual será o próximo limite a ser testado?
Allan Mesquita, repórter de Política
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Angela Maria - 19/03/2025
Vexame vc está dando petista!!! Parabéns aos políticos de direita matogrossense, pois defendem seus ideais com louvor! E os invejosos, bj no ombro.
Eliete - 18/03/2025
Brasília já foi alvo de vários ataques porém só conseguiram ver este, incrível!
kelly - 18/03/2025
Belo texto. Me admira que fosse um. Planejaram assassinato, depredaram patrimônio publico. Não concretizou ? Que bom que ainda vivemos em uma democracia. Tentativa é crime . Sem anistia.
Geovana Moreira - 18/03/2025
Como sempre fala o governador Mauro Mendes, em MT bandido não se cria, faço a mesma pergunta,se a invasão fosse no paiaguás? Diante uma uma ação como essa qual seria a reação dele? Na verdade este evento não é para anistiar quem esteve presente na destruição dos três poderes, o grande objetivo é livrar o Bolsonaro da cadeia. Alguém acha mesmo que os políticos ia perder tempo, com este fracassado manifesto em favor dos manifestantes? Jamais fariam isso, eles estão pensando em si mesmo.
Luis Carlos do Espírito santo - 17/03/2025
Não a Anistia cadeia para golpistas inclusive Mauro mentes e sua esposa que está de luto dês da derrota de 2022
Jandira Maria Pedrollo - 17/03/2025
Exatamente. Faço essa mesma pergunta. O que os governantes de Mato Grosso diriam se o que ocorreu em Brasília tivesse acontecido em Cuiabá? E olha que motivos já tivemos muitos. E se a depredação tivesse ocorrido no Palácio Paiaguas, na Palácio Gov. Dante Martins de Oliveira (Assembleia Legislativa), no Palácio Alencastro, na Câmara Municipal? A reação dos gestores é legisladores teria sido a mesma? Passariam a mão na cabeça dos depredadores e diriam que "estavam rezando". Somos brasileiros, contribuintes e eleitores e exigimos o cumprimento da legislação. Portanto não aceitamos anistia para golpistas, se a moda pega todos terão os mesmos direitos. Ou não?.
6 comentários