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27.05.2026 | 12h03

Audiência instantânea e o futuro da profissão; por que precisamos falar sobre a banalização do jornalismo

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Luan Cordeiro

Divulgação

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O anúncio de que a influenciadora Virgínia Fonseca vai trabalhar como repórter na cobertura da Copa do Mundo de 2026, provocou uma onda de discussões na internet. Para quem acompanha a área, esse caso não é uma surpresa, mas sim o exemplo mais recente de um debate que já vem acontecendo há algum tempo: até que ponto a busca por engajamento justifica colocar influenciadores em funções que sempre foram de jornalistas?


Quem passou quatro anos (ou mais) em um curso de graduação de jornalismo sabe exatamente o peso dessa discussão. A rotina de quem estuda comunicação costuma ser pesada, dividida entre estágios de dia e noites em claro para dar conta dos trabalhos acadêmicos. É na graduação que a gente aprende que jornalismo não se resume a quem aparece no vídeo. Existe toda uma estrutura por trás, produtores, editores, pauteiros, que faz a informação acontecer de forma correta e responsável.


Na graduação, nós somos preparados para lidar com a responsabilidade social da informação e não para criar conteúdos de entretenimento puro. Aprendemos sobre ética, técnicas de apuração e o impacto real do nosso trabalho. Afinal, uma informação errada ou mal apurada pode acabar com a reputação de alguém, causar pânico na população ou prejudicar a política de um país. Vimos a importância disso, por exemplo, na pandemia de Covid-19, quando o trabalho dos jornalistas foi essencial para trazer dados confiáveis e orientar a sociedade no meio de tantas notícias falsas.


É importante deixar claro que o objetivo aqui não é criticar os influenciadores ou os blogueiros. Eles fazem o trabalho deles muito bem, têm o direito de ocupar o espaço digital e movimentam o mercado. O ponto central é que eles são influenciadores, não repórteres. Jornalismo exige critérios técnicos e compromisso com o interesse público, algo bem diferente da lógica de engajamento da internet.


Esse problema também tem duas frentes de culpa. Primeiro, as emissoras de televisão e as empresas de mídia, que muitas vezes preferem trocar o jornalista profissional por alguém com milhões de seguidores, priorizando o lucro rápido e os cliques em vez da qualidade da informação. Segundo, os próprios jornalistas que, em alguns casos, tentam virar influenciadores e passam a se colocar antes da notícia, esquecendo que o fato é sempre mais importante do que quem o narra.


Essa troca constante do profissional técnico pelo criador de conteúdo está sucateando o jornalismo e desvalorizando a profissão. É exatamente por isso que a aprovação da PEC do Diploma se tornou tão necessária. Exigir a formação acadêmica não é uma frescura, um “mimimi” ou uma reserva de mercado, mas sim uma garantia de que a sociedade vai receber informações apuradas por quem realmente entende a responsabilidade de divulgar uma notícia.


Mudar formatos e tentar atrair um público mais jovem é compreensível e até necessário. Porém, o limite para isso deve ser o respeito à profissão. A busca por audiência rápida não pode passar por cima da responsabilidade que o jornalismo exige. A credibilidade do nosso trabalho não depende de curtidas, mas sim do compromisso com a verdade.

Luan Cordeiro é bacharel em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo, e atua como assessor de imprensa na área política.

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