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03.05.2023 | 14h00

Condilomas; sinal de alerta para o câncer de ânus

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Raissa Viturino

Divulgação

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Os condilomas são verrugas que podem surgir não apenas nos órgãos genitais, mas também ao redor do ânus, no interior do canal anal e outras regiões vizinhas como nádega, virilha e períneo.

 

É considerada uma doença sexualmente transmissível, sendo o agente causador o Papiloma Vírus Humano – HPV. Esse vírus é capaz de infectar pele e mucosas, e está envolvido no aparecimento do câncer de ânus, além de outras afecções. Existem mais de 200 tipos de HPV, sendo divididos em baixo e os de alto risco oncogênico.

 

O vírus infecta uma camada profunda da pele por meio de microtraumas durante a atividade sexual, pelo contato íntimo e direto com as lesões, e a partir disso começa um ciclo longo, sendo o HPV não identificado com agente estranho. Ele passa a se replicar até atingir camadas mais superficiais da pele, e a infectar células vizinhas.

 

A infecção pelo HPV é surpreendentemente comum na população geral, estima-se que 85% dos adultos sexualmente ativos vão adquirir um ou mais tipos ao longo da vida. A maioria das infecções acontece em adultos jovens, com clareamento desta em até dois anos, sem progressão para lesão maligna.

 

Os fatores de risco para a persistência e progressão da infecção para lesão precursora ou câncer são: tabagismo, múltiplos parceiros sexuais, início sexual precoce, uso de contraceptivo hormonal por mais de 5 anos, imunossupressão (patologias ou medicações), coinfecção por outros agentes como o HIV, clamídia e o herpes tipo 2.

 

Como sintomas a coceira é o mais comum, podendo apresentar também o sangramento e até dor anal.

 

Tratamento

O tratamento deve ser individualizado a depender da quantidade de verrugas e da localização, sendo optado por uso de medicações tópicas ou intervenção cirúrgica sob anestesia. O tipo de tratamento, acompanhamento, e vacinação deve ser discutido com seu coloproctologista.

 

Pacientes que tiveram manifestação da infecção pelo HPV, ou que estão no grupo de risco supracitados devem realizar o rastreamento para detecção de células precursoras do câncer anal, realizando o exame de citologia anal.

 

O exame deve ser avaliado, e posteriormente seguir o acompanhamento, se necessário, com o exame de Anuscopia de Alta Resolução, em que conseguimos a ampliação da mucosa do canal anal em mais de 20 vezes, para detecção das lesões pré-neoplásicas e possibilidade do tratamento.

 

Importante enfatizar que se as lesões não forem tratadas podem crescer, se espalhar, e claramente estão relacionadas a ocorrência do câncer na região anal.

 

Diante de sintomas, não hesite em procurar seu médico. O diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

 

Raissa Viturino é coloproctologista e integra as equipes do IGPA e da Clínica Vida Diagnóstico e Saúde

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