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23.02.2026 | 11h08

Gestão inteligente de ativos

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André Chaves

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Dados precisos, disciplina operacional e governança estruturada são elementos fundamentais para transformar ativos produtivos em geradores de valor. Juntos, esses fatores reforçam a confiabilidade dos equipamentos, reduzem custos e ampliam a produtividade, impulsionando a competitividade das empresas. Quando orientada por informações consistentes, a manutenção preventiva torna-se um dos principais alicerces desse modelo. Ela vai além de evitar paradas inesperadas, criando uma base sólida de eficiência sustentável e ajuda as operações industriais a se adaptarem com resiliência às variações do mercado.


De acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), empresas que implementam gestão sistemática de ativos podem reduzir o consumo energético em até 30% ou mais, o que normalmente se traduz em queda equivalente nas emissões de CO2. Com essa abordagem, a indústria deixa para trás o modelo reativo, que apenas responde a falhas, e adota uma postura preventiva e analítica. Quando os ativos passam a ser acompanhados com precisão e gestão, a previsibilidade se torna um ativo estratégico.


Ao estabelecer um processo decisório contínuo sobre onde investir, como manter e quando substituir, esse modelo transforma cada ativo de um centro de custo em uma fonte de valor estratégico. O impacto se reflete diretamente em indicadores financeiros relevantes, como EBITDA e fluxo de caixa. Com base em metodologias consolidadas, como a norma ISO 55.000, essa abordagem promove a integração entre pessoas, processos e tecnologia sob uma estrutura única de governança.


Com isso, o ciclo de vida de cada ativo, da instalação ao descarte, passa a ser tratado de forma estratégica, equilibrando custo, risco e desempenho. Considerar a facilidade na manutenção e padronização desde a aquisição evita despesas futuras. Durante a operação, ações preventivas garantem estabilidade e segurança. No encerramento da vida útil, o descomissionamento responsável reforça o compromisso ambiental da organização. Essa visão completa melhora o desempenho operacional, preserva a reputação e fortalece o impacto social positivo da indústria.


A tecnologia acelerou profundamente essa evolução. Como por exemplo, sensores IoT, inteligência artificial e gêmeos digitais permitem monitorar, analisar e prever o comportamento dos equipamentos. Esse modelo de manutenção deixa de seguir cronogramas rígidos e passa a operar com base em evidências, reduzindo custos e ampliando a disponibilidade dos ativos.
Entretanto, a tecnologia só gera resultados quando está apoiada por método e disciplina. Indicadores como OEE (Eficiência Global dos Equipamentos), custo por ativo e volume de pendências norteiam o foco da operação. Quando esses dados são tratados com rigor e compartilhados entre as áreas — Operação, Manutenção, Engenharia, Compras, Financeiro, Estoques — cria-se uma linguagem comum que fortalece a colaboração e gera ciclos contínuos de melhoria.


Outro elemento decisivo está nos impactos sobre ESG. Ativos bem administrados consomem menos energia, emitem menos poluentes e oferecem maior segurança às equipes. A rastreabilidade assegurada pelos sistemas digitais fortalece a governança e garante aderência regulatória. Dessa forma, a indústria não apenas melhora sua eficiência interna, mas também avança em sustentabilidade, reduz riscos e amplia a confiança de investidores, clientes e comunidades.


No fim, excelência operacional é resultado de um sistema que integra prevenção, dados e governança com foco em gerar valor de forma sustentável. A manutenção preventiva constitui a base dessa estrutura; a gestão de ativos, sua arquitetura estratégica. Quando essas práticas atuam de forma complementar, a indústria deixa de reagir a falhas e passa a liderar com eficiência, segurança e visão de longo prazo.


André Chaves é vice-presidente da unidade de negócios da Falconi especializada em Indústria de Base e Bens de Capital; e Alexandre Bicalho, team leader da mesma unidade de negócios.

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