12.03.2026 | 11h52
Divulgação
O Brasil ocupa o 5º lugar no mundo em casos de violência contra a mulher. Dados recentes do Ministério da Justiça e Segurança Pública indicam que, em 2025, o país registrou uma média de quatro mulheres assassinadas por dia — uma a cada seis horas. Números alarmantes que exigem reflexão e ações efetivas.
Algumas medidas já existem, como a Lei Maria da Penha, o Ministério da Mulher, delegacias especializadas e organizações de apoio. Ainda assim, os resultados são lentos diante de um contexto histórico e social profundamente marcado pela desigualdade de gênero. Desde a Grécia e Roma antigas, a mulher foi tratada como figura secundária, mesmo em sociedades consideradas berço da filosofia, da ciência e da política.
No Brasil, apenas nos anos 1930 as mulheres conquistaram o direito ao voto. Décadas depois, ingressaram gradualmente no mercado de trabalho, muitas vezes restritas ao magistério, enquanto o papel doméstico seguia como obrigação quase exclusiva. Mesmo hoje, apesar dos avanços, ainda persiste uma mentalidade que naturaliza a sobrecarga feminina, impondo jornadas duplas ou triplas e tolerando relações abusivas.
A violência também se manifesta no controle, no ciúme excessivo e na tentativa de limitar o direito feminino de estudar, trabalhar e empreender. Durante três anos, atuei como assistente social voluntária no projeto Justiceiras, do Instituto Justiça de Saia, criado na pandemia, período em que os casos de agressão doméstica se intensificaram. Mesmo após esse período, a demanda por apoio segue elevada, sobrecarregando os serviços públicos.
Em resposta, mulheres se organizam, fortalecem redes de apoio e ocupam espaços de expressão. Na literatura, grupos de escritoras têm ampliado vozes e narrativas femininas, seguindo o legado de autoras como Jane Austen, Clarice Lispector, Virginia Woolf e Cecília Meireles. Faço parte do coletivo Escreva Garota, que reúne milhares de mulheres em livros, feiras literárias e festivais, como o RME (Rede de Mulheres Empreendedoras), fortalecendo o protagonismo feminino.
Quando falamos de literatura e feminino, é preciso perceber as histórias que foram escritas por homens e para homens e meninos. Cito como exemplo, “O menino maluquinho” de Ziraldo. Foi pensando em tudo isso que escrevi “Uma menina muito maluquinha – uma paródia divertida”, para mostrar que as garotas podem brincar de tudo também. Ainda, escrevi “Rimas do Aleatório” sobre uma mulher que viveu aquém dos modelos sociais femininos.
Há uma cultura a ser transformada, e a literatura é ferramenta poderosa nesse processo. Somada à educação para a igualdade, ela pode ajudar a construir relações mais justas, livres de violência e baseadas no respeito.
Karin Földes é graduada e mestre em Letras, assistente social, neuropsicopedagoga e escritora de “Rimas do Aleatório"
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