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Cuiabá, Quarta-feira 28/10/2026

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28.10.2026 | 10h37

O fim do home office improvisado

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Graziela Marchezini

Divulgação

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Vamos carregar os efeitos da pandemia por muito tempo ainda. Eles serão um eco distante quando outra coisa vier mexer com toda a humanidade novamente. Mas você vai começar o texto logo assim? Sim! Nossa vida nunca mais será a mesma.


Pense lá no passado, quando as pessoas escreviam cartas. Parece longe, não é? Mas isso ainda acontecia até meados dos anos 1990, quando os computadores entraram nas casas. Pesados, de mesa, ficavam num lugar mais escondido, e nem todo mundo os usava. Mais do que isso, a maioria das pessoas nem tinham um, mas, em pouco tempo, trocar e-mails substituiu as cartas, e os trabalhos que eram analógicos, ou que utilizavam máquinas de datilografia, passaram a ser feitos nos computadores.


Os computadores invadiram as casas e passaram a fazer parte da vida das pessoas não só para o trabalho, mas também para os estudos e o lazer. Foi assim por muitos anos: a maioria dos lares não tinha um espaço bem delimitado para abrigar esse uso. Seria adequado um escritório, mas o computador ficava onde cabia: no quarto das crianças, num canto da sala. Os notebooks, então, ficavam no guarda-roupa e, quando era preciso, eram levados para a mesa de jantar.


Eis que veio a pandemia, e as pessoas entenderam que poderiam e deveriam trabalhar de casa, nos casos em que a atividade podia ser feita de forma remota. Trabalhar na sala de jantar, no quarto ou na bancada da cozinha virou rotina, e muitos de nós passamos a conhecer a casa dos colegas, devido às videochamadas, que faziam parte do dia a dia de adaptação e alinhamento de demandas. Com isso, as pessoas passaram a se preocupar um pouco com o que estava no fundo, o cenário. As pessoas passaram a pensar nesses cantos como espaço de trabalho permanente, investindo em cadeiras e mesas mais indicadas para isso e buscando o cantinho mais adequado para alojar o novo mobiliário.


Acontece que nem todo mundo tem um espaço extra em casa, e muita gente se viu praticamente 24 horas dentro do próprio quarto. Isso não é o mais indicado, pois o cérebro não consegue descansar. Na cama, pronto para dormir, você olha para o computador e sabe que precisa terminar um relatório; seus sonhos provavelmente serão com processos do escritório. Ter horário para começar e terminar é outro ponto importante e, trabalhando de casa, bem difícil de seguir.


A pandemia passou, mas como eu disse no início, ainda ecoa. Várias pessoas trabalham de casa ou no modelo híbrido, e muitas descobriram maneiras de utilizar o computador e a internet como fonte de renda. Meu conselho, e o da neurociência aplicada ao design e à arquitetura, é que os espaços sejam bem delimitados. Os ambientes precisam ter funções distintas.

Por exemplo: onde se dorme, não se trabalha.


Sei que isso não é algo fácil de resolver e, levando em conta esse eco deixado pela pandemia, as construtoras devem projetar espaços mais humanizados e planejar as plantas dos novos empreendimentos com foco na necessidade de termos ambientes adequados, tanto para o trabalho quanto para o estudo, considerando tudo o que afeta a saúde do trabalhador, como boa iluminação natural, ventilação adequada e vista para o horizonte, de preferência para áreas vegetadas. Um estudo com trabalhadores de escritórios associou o benefício de se ter a vista de uma floresta pela janela e menores níveis de estresse autorrelatados. Não é à toa que o design biofílico, que busca aproximar os usuários dos espaços à natureza, ganhou tanta relevância durante e após a pandemia.


Para quem já mora em casa e não pode esperar por um novo empreendimento, o caminho passa pelo design de ambientes.

Muitas pessoas têm receio de contratar designers por já imaginarem um custo elevado, mas se esquecem de que o planejamento de uma transformação prevê o gasto provável para chegar ao resultado desejado e evita retrabalho e desperdício. Além disso, como mudar de casa nem sempre é possível e encarar reformas está cada dia mais complicado, o design de ambientes entra com possibilidades de organizar os espaços por meio de intervenções que favorecem os moradores sem onerar tanto. E o escritório pode ganhar cara nova e um lugar mais adequado para permanecer.

 

Graziela Marchezini é designer de ambientes.

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