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16.03.2025 | 13h26

Os dois extremos da vida

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Wilson Carlos Fuáh

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Durante a nossa existência, desfrutamos de diferentes experiências sempre entre os dois extremos da existência, ora de intensos questionamentos e descobertas, ora de significativa maturidade e calmaria, em consonância com a fase em que vivenciamos.


Quando jovens, pensamos em aproveitar a vida ao máximo, sorvendo cada minuto como se fosse o último. Ao passo que na fase madura quase sempre nos assusta, e com o adiantado do tempo decorrido e enfrentamos dificuldades para entender e assimilar o final de ciclo que paulatinamente se aproxima.


Quando as pessoas envelhecem, se tornam introspectivas e se voltam para o passado, tentando de alguma forma reativar e usufruir toda beleza e alegria “experenciada” no tempo passado, buscando desenvolver recursos internos para enfrentar o futuro, que traz em si a incerteza e a verdade existencial que limita e delimita as novas etapas futuras.


Os idosos geralmente projetam o futuro bem como suas realizações na perspectiva familiar que o cercam: na pessoa dos filhos, netos, bisnetos, buscando identificar e alcançar seus objetivos, realizações e satisfações nos projetos de vida traçados pelos entes familiares próximos.


Por outro lado, para os jovens a morte é um tema remoto e muito distante, e está mais preocupado em viver seu momento intensivo de vida. A existência para eles é infinita e traz latente em seu bojo a alegria e a vitalidade existencial, própria desta fase, rica em determinação, coragem e intensa em expectativa de realizações.


Para os idosos, a sensação é que a caminhada pode ser interrompida a qualquer tempo em função do extenso percurso decorrido. Assim, frente ao tempo limitado que se apresenta, passam a olhar em direção à janela do passado, revendo fatos importantes e se alimentando de experiências que geralmente os motivam e conferem mais sentido ao seu caminhar. Quase sempre vivem de retrospectivas, fixos às experiências que deram mais sentido a sua vida, tentando dessa forma driblar os desafios impostos pela idade e que se ampliam dia após dia.


Apesar da morte constituir um fato natural, certo, inevitável, comum e indistinto a todos, ninguém se prepara para recebê-la. O medo do desconhecido e da derradeira viagem, desencadeia as sensações de inseguranças e apegos que prejudicam a caminhada espiritual das pessoas.


Apesar dos “reencarnacionistas” defenderem a tese que a vida não acaba com a morte, e que esta é a libertação do corpo material e que a vida prossegue, comumente se observa, que na realidade ninguém está preparado para dar esse passo, pois entrará numa viagem ao desconhecido e seguindo para o retorno definitivo à pátria espiritual.

 

Wilson Carlos Fuáh é especialista em Recursos Humanos e pesquisador das Relações Sociais e Políticas, Graduado em Ciências Econômicas.

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