12.02.2025 | 11h20
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A expressão “fogo nos racistas”, popularizada em grafites e em músicas de Djonga e da banda Black Pantera (excelentes, por sinal), é uma figura de linguagem, como brilhantemente explicou o escritor Jeferson Tenório tempos atrás. É um grito de resistência contra a discriminação do povo preto, não a busca por violência.
Esta é minha questão: as pessoas não foram ensinadas a perceber a diferença. Não têm, quase sempre, familiaridade com a leitura e nem sabem como interpretá-la. Daí, o sucesso das fake news, “informações” diretas e certeiras: “o político tal fez um projeto liberando o casamento entre pai e filha”. Não há necessidade de ponderação, reflexão. Coisas que deveriam ser reforçadas pela escola. Muitos, quando ouvem “fogo nos racistas”, mentalmente legitimam o próprio racismo: “os negros são irracionais, bárbaros violentos”. E só não vocalizam isto, inclusive, porque é crime.
Costumo dizer que a educação é o melhor caminho para evoluirmos como sociedade nesse sentido, afinal, não existem crianças racistas. Elas absorvem falas e gestos dos adultos que as circundam, reafirmando o racismo estrutural. E a escola pode ajudar ao adotar/reforçar práticas antirracistas.
A primeira é o letramento racial de todos os funcionários (para que naturalizem ações afirmativas valorizando a cultura negra), mesmo os racistas. A seguir, criar espaços e momentos que celebrem positivamente a negritude e trazer toda a comunidade escolar para delimitar qual o papel de cada um nesta luta, baseada em empatia e humanidade, com muito papo. Repensar o currículo, realçando a importância dos negros para a formação e a manutenção do país, e criar uma comissão permanente de diversidade, que trate não só de racismo.
Só através da melhoria das condições educacionais é que pode haver uma mudança significativa para libertar os negros dos grilhões de uma sociedade que se mantém, de certa forma, também, pela supressão de seus direitos. Quando todos aprenderem a ler e a interpretar a expressão “fogo nos racistas”, ela não mais precisará existir.
Du Prazeres é professor universitário e autor do livro “Antirracismo em contos leves”
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