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11.02.2026 | 14h37

Receita ilegível; se você não consegue ler, sua saúde corre perigo!

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Luís Köhler

Divulgação

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Imagine receber uma orientação vital para sua saúde, mas ela vir escrita em um código que você não consegue decifrar. No Brasil, o que deveria ser um documento claro — a receita médica — muitas vezes se transforma em um conjunto de rabiscos indecifráveis. Esse hábito, tratado por muitos como “comum”, representa, na prática, um risco grave e silencioso à segurança do paciente.

 

Uma receita mal escrita não é apenas um problema de caligrafia; é uma falha crítica de comunicação que pode levar a erros fatais. Dados do Instituto Brasileiro para Segurança do Paciente (IBSP)* indicam que falhas de comunicação estão associadas a mais de *70% dos erros na assistência à saúde.

 

Quando um farmacêutico precisa “adivinhar” o que está escrito, as chances de troca de medicamentos, erro de dosagem ou tempo de uso incorreto aumentam drasticamente. Um número mal desenhado ou uma sigla confusa pode transformar uma dose segura em uma superdose perigosa.

 

Ter uma receita legível não é um favor — é um direito do paciente. A Lei Federal nº 5.991/73, assim como os códigos de ética profissionais, proíbem expressamente prescrições ilegíveis. O profissional tem a obrigação legal e ética de garantir que a informação seja clara, compreensível e inequívoca.

 

Nesse contexto, a tecnologia é a maior aliada. A receita digital, seja impressa ou enviada por meios eletrônicos, elimina dúvidas, reduz falhas humanas e aumenta a precisão do tratamento.

 

O farmacêutico atua como a última barreira de proteção entre o erro e o paciente. Ao identificar qualquer dúvida na prescrição, ele tem o dever profissional de não dispensar o medicamento até que a informação seja confirmada com o prescritor.

 

Importante: Essa postura não é burocracia ou excesso de zelo; é o cumprimento de um dever de cuidado e responsabilidade com a sua vida.

 

Como se proteger?

Não aceite menos do que clareza total. Para garantir sua segurança, siga estes passos:

Leia a receita ainda no consultório: se não entender o nome do medicamento ou a forma de uso, solicite na hora que seja reescrita ou, preferencialmente, impressa.


Prefira receitas digitais: Elas são mais seguras, fáceis de armazenar e amplamente aceitas em todo o território nacional.
Questione na farmácia: Se houver qualquer dúvida na leitura, peça que o farmacêutico entre em contato com o médico para confirmação. Nunca leve um medicamento baseado em suposições.


A saúde é um compromisso compartilhado. Se você não confiaria sua vida a uma instrução que não consegue ler, não aceite uma receita ilegível. *Exigir clareza é um direito do cidadão e um dever inegociável de quem cuida.

 

Luís Köhler é farmacêutico | Conselheiro Federal de Farmácia eleito (Gestão 2027–2030).

 

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