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14.04.2025 | 10h47

Ser gestor da saúde é gratificante, mas desafiador

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Marco Antonio

Divulgação

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Neste dia 19 de março de 2025 eu retornei à presidência do Conselho Municipal de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT). Para quem não sabe, esse é um órgão colegiado que representa os 142 secretários de saúde do estado. Cada decisão tomada em conjunto impacta diretamente os mais de 3,5 milhões de habitantes.

 

Na verdade, gerir a pasta da saúde é um dos desafios mais complexos de um governo. Só quem é da área para entender das muitas regras, siglas, instâncias, competências, enfim, as pessoas que vivenciam o SUS nos municípios estão no topo de um iceberg complexo, que demanda muita capacitação e informação.

 

Sou gestor de saúde há quase duas décadas e posso dizer com propriedade: a saúde é uma pasta em constante mudança, principalmente aquela da ponta, a dos municípios. São os municípios que estão ali, mais próximos dos cidadãos, oferecendo vacinas, atendimentos, campanhas, enfim, cuidando de cada um dentro da sua realidade.

 

E quanta realidade vivida em Mato Grosso. Temos municípios enormes, com populações espaçadas que demandam uma grande logística da saúde. Temos regiões com população indígena, ribeirinha e quilombola, que precisam ser tratados diante de logísticas diferentes, afinal, são distintas as necessidades.

 

Costumo dizer que é preciso “pisar no chão da fábrica” para entender as necessidades e demandas de um município. É preciso estar lá, sentir, conversar e vivenciar. Como Presidente do Cosems/MT, eu fiz o compromisso de visitar os 142 municípios do estado. Na gestão passada já estive em muitos, mas agora quero reforçar o meu objetivo.

 

Esse pisar é importantíssimo, antes de tomarmos qualquer decisão sobre a saúde. Por exemplo, não temos como falar de cobertura vacinal da mesma maneira em todas as regiões. Temos secretarias de saúde que têm de fazer uma força-tarefa para levar a vacinação aos munícipes. Sempre compartilhamos histórias de profissionais que têm que andar de bicicleta, canoa, atravessar áreas perigosas e enfrentar uma grande empreitada para chegar a todos.

 

Outra pauta que pretendo reavivar na gestão é a do piso salarial dos gestores de saúde. Ser gestor de saúde é ter nas “costas” uma responsabilidade imensa. Ouso dizer que a pasta que mais demanda conhecimento, eficiência e humanidade. Quem faz saúde tem de amar a saúde, tem que ser capacitado, participar de reuniões, visitar os municípios vizinhos, estar de corpo e alma no cargo.

 

No entanto, o que temos vivenciado é uma constante cobrança desse profissional em detrimento de uma desvalorização salarial. Exige-se muito do secretário de saúde, e com razão, mas, ao mesmo tempo, não há um reconhecimento ou mesmo uma estabilidade. Fazer saúde é construção, que muitas vezes é quebrada por um mercado desvalorizado e muito politizado.

 

Sei que os nossos secretários de saúde merecem mais, e eu, como representante, sinto-me na obrigação de externar isso para todos. Uma decisão errada tomada por um gestor da pasta pode prejudicar milhares de pessoas. Tal como uma decisão certa pode salvar a vida de milhares de pessoas. Quanta responsabilidade, não?!

 

E os gestores de Mato Grosso são exemplos para o país. Nós do Cosems/MT desenvolvemos até um clipping, que reúne as principais atividades desenvolvidas pelos municípios. Toda segunda publicamos em nosso site as ações que recebemos de todos os cantos do estado. E quanta coisa maravilhosa. Carro da vacinação, mutirão de hiperdia, exercício físico na praça, pit stop da informação contra a dengue, programa saúde nas escolas com teatro e música, enfim, esses são só alguns exemplos do que os municípios fazem para alcançar o cidadão.

 

Meu compromisso vai muito além de melhores condições para os secretários, mas também quero continuar trabalhando para uma saúde resolutiva, unida e descentralizada. Eu e a diretoria executiva do Cosems/MT, em nome dos 142 gestores, comprometemo-nos a oferecer as melhores soluções e serviços na saúde para que o estado de Mato Grosso continue sendo a referência que é no Brasil.

 

Marco Antonio Norberto Felipe é Secretário de Saúde de Nova Ubiratã e Presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso (Cosems/MT)

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