06.03.2026 | 11h32
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Há momentos na vida em que decidimos abraçar algo maior do que as nossas próprias forças. É como tentar alcançar o horizonte: sabemos que ele se afasta à medida que caminhamos, mas ainda assim seguimos. Nesse instante, a desistência sussurra mais alto do que a coragem. E é justamente aí que nasce a diferença entre quem sonha e quem realiza.
Comprometer-se com um objetivo é aceitar o desconforto do crescimento. No começo, não sabemos exatamente onde vamos chegar. O projeto é apenas uma ideia envolta em entusiasmo e incerteza. Mas é durante o percurso que vamos nos descobrindo. A cada passo, abandonamos o que já não nos serve. Fazemos pequenas faxinas existenciais, jogamos fora velhas crenças, antigos medos, hábitos que nos atrasavam. Crescer é, muitas vezes, desapegar.
A vida, no entanto, não facilita o caminho. Os obstáculos surgem como provas silenciosas da nossa determinação. Cada pessoa carrega suas próprias batalhas invisíveis, e é tentador usar as frustrações como justificativa para a agressividade ou para decisões impensadas. Mas maturidade é compreender que dificuldades não são desculpas; são ferramentas. Elas nos moldam.
Chega um momento em que precisamos sair do território confortável dos sonhos e instalar a realidade. Planejar, organizar, estabelecer metas concretas. Sonhar é o primeiro passo; estruturar é o segundo. Quando o planejamento encontra a disciplina, o objetivo deixa de ser ilusão e passa a ser construção. E tudo aquilo em que acreditamos começa a ganhar força — porque a fé, quando acompanhada de ação, torna-se a poder realizador.
É verdade que alguns sacrifícios parecem duros demais. Renúncias machucam. Renunciar a prazeres imediatos para conquistar algo maior exige maturidade emocional. Porém, depois dos primeiros resultados, entendemos que cada esforço tinha um propósito. Os sonhos exigem mudanças — e são essas mudanças que nos transformam.
Com o tempo, percebemos que a realização não é o ponto final. Ela é apenas uma etapa do nosso processo evolutivo. O verdadeiro crescimento está na pessoa que nos tornamos enquanto caminhamos. Somos resultado das escolhas acumuladas, das quedas superadas, das insistências silenciosas.
Os sonhos tornam-se realidade quando mente e coração caminham em acordo. Quando estabelecemos regras para nós mesmos e decidimos cumpri-las, mesmo quando ninguém está olhando. A vida é uma peregrinação pessoal: ninguém pode andar por nós.
E se não houver trilha? Que façamos a nossa.
Se o caminho parecer fechado? Que abramos passagem.
O que não podemos é permanecer parados, esperando que o mundo construa o destino que só nós temos a responsabilidade de edificar.
Porque, no fim das contas, somos idealizadores de objetivos — mas também somos os únicos capazes de transformá-los em realidade.
Wilson Carlos Fuah é escritor, cronista e observador atento da vida política e social de Mato Grosso, é graduado em Ciências Econômica Fale com o Autor: wilsonfua@gmail.com
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