22.05.2026 | 12h39
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Ser mãe é muito mais do que dar à luz: é um gesto de amor que se renova em cada cuidado, em cada limite, em cada abraço. A mãe biológica gera a vida, mas não é a única a carregar esse título. A mãe adotiva revela que a maternidade é também escolha, entrega e coragem. A mãe de pet mostra que o cuidado pode se expandir para além da espécie, acolhendo os animais como filhos do coração. Em todas as formas, ser mãe é nutrir, proteger e sustentar.
Quando alcançamos a vida adulta precisamos nos tornar nossa própria mãe. É quando aprendemos a nos acolher, a nos proteger e a nos guiar com clareza e confiança. É estar atento às próprias necessidades físicas, emocionais e relacionais no momento presente. É perceber quando se está cansado, quando se precisa de afeto, quando é hora de impor limites, e agir em favor de si mesmo. É dizer em silêncio: “eu cuido de mim, eu não me abandono.” É oferecer a nós mesmos o colo que faltou ou que desejamos. Assim, o adulto descobre que pode ser fonte de amor e disciplina, sendo esse o caminho para conquistar a própria autonomia.
Na Gestalt-terapia, tornar-se sua própria mãe é um processo de autossuporte, consciência e integração. É assumir o papel de cuidador interno, capaz de nutrir, proteger e orientar a si mesmo. É estar atento ao que se sente no aqui-e-agora, integrando dores e alegrias; é aprender a sustentar emoções difíceis sem se fragmentar, colocando limites e escolhendo ambientes que favoreçam o crescimento. Não se trata de apagar o passado, mas de dar um outro significado a própria história. O autocuidado vira força interna, sempre disponível.
É necessário também demonstrar acolhimento por si mesmo. Ser sua própria mãe é aprender a se embalar nos dias de dor, a se perdoar nas falhas e a se encorajar nos medos. É transformar a vulnerabilidade em potência, a fragilidade em ternura. O colo interior torna-se real, acessível, e passa a ser um recurso de cuidado constante. Assim, o adulto se fortalece e floresce em sua própria companhia.
Na Gestalt-terapia, o processo de “ser sua própria mãe” não é visto como uma substituição literal da figura materna, mas como uma integração interna da função de cuidado, proteção e nutrição. O adulto aprende a oferecer a si mesmo aquilo que, na infância, recebeu ou desejou receber, tornando-se capaz de sustentar sua própria existência com consciência e responsabilidade.
Talvez o maior gesto de maturidade seja justamente este: descobrir que dentro de nós também pode existir colo. Um colo interno capaz de nos acolher nas noites difíceis, de nos levantar após as quedas e de nos lembrar, todos os dias, que merecemos cuidado, presença e amor.
Catarina Theophilo é psicóloga com mais de 30 anos de experiência. Atua também como terapeuta com os Florais de Minas, integrando cuidado emocional e desenvolvimento humano em sua prática profissional.
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