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19.05.2026 | 10h33

O futuro a quem pertence?

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Ricardo Viveiros

Divulgação

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As palavras acima são de Alphonse Gabriel Capone, o Al Capone, contrabandista e vendedor de bebidas durante a “Lei Seca”, nos Estados Unidos. Também matou muitas pessoas. Foi preso por sonegação fiscal dias depois da entrevista à revista Liberty, publicada em 17 de outubro de 1931.

 

Neste momento do Brasil, a reflexão do gângster gera questionamentos: O que busca o povo brasileiro quando vai às ruas em plena democracia? Que desejam jovens, adultos e idosos com diferentes mensagens, gritando antigas e novas palavras de ordem como nos tempos da ditadura?

 

Os brasileiros estão cansados de problemas crônicos: saúde, educação, desemprego e, em especial, a falta de ética na política. A roubalheira ao longo de décadas teve, no caso “Banco Master”, a gota d’água. Transbordou com a crise política, econômica, social e, acima de tudo, moral. Não há mais espaço para discurso vazio, promessa não cumprida, corrupção, desmando e incompetência. Muito menos para delatores ou não, criminosos que cometeram absurdos contra o povo.

 

Eles roubaram dinheiro que, se investido na saúde, teria salvado muita gente da morte em alguns surreais hospitais públicos de todo o país Como Al Capone, ao falar de si mesmo, tentam nos enganar outra vez. Posando como “heróis da Pátria”, com falso arrependimento, prometem devolver o que roubaram e entregar comparsas. Não enganam ninguém. Queremos mudanças para valer, reformas estruturais que garantam inalienáveis direitos. Mais sintomático que o povo nas ruas em legítimo ato de cidadania, é quando as pessoas se revoltam caladas nas casas, fábricas e universidades. A desesperança é muito perigosa.

 

Nestes tempos em que o povo retorna às ruas para exigir honestidade, lembro-me de um cidadão brasileiro, morto há 24 anos: Carlito Maia. Publicitário brilhante, jornalista irreverente, responsável, agitador e o melhor amigo de qualquer um. Suave e forte. Apaixonado convicto, solidário e bem-humorado, integrou o seleto grupo dos “seres especiais em extinção”.

 

Carlito veio ao mundo a passeio, não em viagem de negócios – como dizia de si mesmo. Foi o único sonhador realista que conheci. Transbordando ternura, mas também repleto de coragem, era capaz de derrubar montanhas para que elas não fossem a Maomé, só para o profeta não se acomodar. “Uma vida não é nada. Com coragem, pode ser muito”, dizia.

 

Em tempos bicudos, com tantas revelações de corrupção, imagino a decepção de Carlito. Ele preconizou muitas coisas que hoje estão acontecendo. Sinto saudade de suas frases sábias, flores e cartões escritos com canetas bicolores, configurando sua comunicação criativa, lúcida e emocionada, que faz refletir, querer e transformar.

 

Amado Carlito, você estava certo: “Nós não precisamos de muita coisa. Só precisamos uns dos outros”. Sem perder a esperança, mantendo a determinação de lutar por nossos direitos, defender verdade e justiça, podemos, com mais educação e cultura, mudar o Brasil pelo voto consciente e responsável.

 

A começar de uma escolha responsável de parlamentares, porque na prática eles exercem um poder executivo mesmo sob um regime presidencialista, e chegando à opção melhor para presidente. Não podemos cair nas mãos sujas de quem, como sabemos, já mostrou em tristes quatro anos (2019-2023) que não respeita o Brasil, o seu povo. E segue fazendo isso, como agora veio à tona, nos desdobramentos do vergonhoso caso “Banco Master”.

 

“Acordem e progresso!”, disse o nosso Carlito Maia. Pensem nisso, porque voto é coisa séria. Pode ser uma ferramenta, pode ser uma arma.

 

Ricardo Viveiros é jornalista, professor e escritor, é doutor em Educação, Arte e História da Cultura (UPM); membro da Academia Paulista de Educação (APE) e conselheiro da Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (ABERJE); autor, entre outros livros, de A vila que descobriu o Brasil, Memórias de um tempo obscuro e O sol brilhou à noite. Apresenta o programa semanal “Brasil, mostra a tua cara!”, todos os domingos, às 7 horas (da manhã), pela TV Cultura.

 

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