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29.07.2024 | 11h46

Um parque nacional em Cuiabá

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Caiubi Kuhn

Divulgação

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Muita gente não sabe, mas quase 65% do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães fica em Cuiabá. A existência da unidade de conservação no município faz com que Cuiabá receba o ICMS ecológico, que representa 5% do ICMS total, distribuído entre os municípios que possuem Unidade de Conservação ou Territórios Indígenas. No ano de 2019, dos R$ 3.077.879 destinados ao ICMS ecológico em virtude da existência do parque, Cuiabá recebeu R$ 2.338.780. Além desta contribuição econômica, no Parque Nacional estão as nascentes do Rio Coxipó, responsável pelo abastecimento de quase metade da população cuiabana.


Cuiabá também possui 36% da Área de Proteção Ambiental (APA) de Chapada dos Guimarães. O Parque Nacional e a APA são áreas núcleo da Reserva da Biosfera do Pantanal, e a própria cidade de Cuiabá também está situada dentro desta designação internacional. O título de reserva da biosfera é concedido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) para áreas especialmente designadas para aliar a conservação ambiental e o desenvolvimento humano sustentável. Este conjunto de unidades e designações, podem cumprir um importante papel para possibilitar o contato com natureza e o desenvolvimento de ações de educação ambiental.


O limite entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães normalmente ocorre na escarpa, ou seja, no paredão. Áreas como a Salgadeira e muitos dos balneários e pousadas que existem na MT-251 estão localizadas em Cuiabá. Apesar disso, o município de Cuiabá pouco se envolve no desenvolvimento de políticas relacionadas ao turismo e meio ambiente para esta região. Aliás, mesmo tendo a maior área do Parque Nacional e recebendo a maior fatia do ICMS ecológico relacionado à unidade, Cuiabá pouco participa do Conselho do Parque.


Além das belezas naturais, a região entre Cuiabá e Chapada dos Guimarães está conectada pela história. São diversas trilhas históricas, sítios arqueológicos e comunidades tradicionais, entre elas, a do São Jerônimo, Rio dos Médicos e o Coxipó do Ouro. Esse conjunto de belezas naturais e culturais cria um cenário perfeito para o desenvolvimento do turismo e o fomento da economia criativa, por meio do artesanato. Tudo isso se soma ao patrimônio histórico, museus, vida noturna e riqueza gastronômica e cultural existente na área urbana da capital.


Além disso, Cuiabá e Várzea Grande possuem posição estratégica como porta de entrada do turismo na região. No entorno da região metropolitana, existem áreas fantásticas, como o Pantanal, as águas termais e as belezas naturais de Jaciara e Juscimeira, Nobres com seus inúmeros atrativos, e Chapada dos Guimarães com toda sua beleza. Ainda há muito a ser desenvolvido nessas áreas, como o turismo em cavernas, sítios arqueológicos, etnoturismo, entre outros. Por isso é necessário planejamento estratégico robusto em escala local e regional.


É fundamental que políticas públicas eficazes sejam implementadas para apoiar os empresários no desenvolvimento de seus negócios e atender às necessidades de qualificação dos profissionais do turismo. Mas não podemos parar por aí. É crucial incluir os fazedores de cultura, artistas, artesãos, comerciantes, guias e condutores de turismo, além das comunidades tradicionais, que têm muito a contribuir para a formação de um destino turístico de qualidade. Esses grupos oferecem experiências únicas e autênticas, capazes de transformar a visita a Cuiabá em uma jornada inesquecível.


Os recursos do ICMS ecológico precisam ser investidos no desenvolvimento do turismo, da economia criativa, na educação ambiental e na proteção e preservação destas unidades de conservação. Cuiabá precisa olhar para o seu potencial turístico e atuar fortemente no fomento deste setor. Esse é um ótimo caminho para gerar empregos, renda e, ao mesmo tempo, promover o desenvolvimento sustentável.


Caiubi Kuhn é geólogo, doutor em Geociência e Meio Ambiente (UNESP), professor na UFMT

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