JULHO VERDE 26.07.2026 | 07h00

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Rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam e caroços no pescoço podem parecer sintomas comuns e não receberem a devida atenção. Contudo, eles também são capazes de alertar para câncer de cabeça e pescoço. Dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca) apontam escalada da doença no país ao longo dos últimos anos.
Entre 2026 e 2028, 126.450 novos casos devem ser diagnosticados no Brasil. O que representa uma média de 42.150 por ano. Já em Mato Grosso, no mesmo período, a estimativa é de 1.560 casos, aproximadamente 520 por ano.
Neste Julho Verde, o cirurgião oncológico de cabeça e pescoço Erik de Freitas Fortes Bustamante alertou que o principal fator de risco para a doença é ser tabagista, mas alertou que o diagnóstico precoce aumenta significativamente as chances de cura e reduz a necessidade de tratamentos mais agressivos.
Gazeta Digital - Quais são os principais sinais e sintomas do câncer de cabeça e pescoço que a população costuma ignorar e que merecem atenção?
Médico Erik Bustamante - Tem que prestar atenção a lesões em boca e lábio que não cicatrizam por mais de 15 dias, sensação de "espinho de peixe" na garganta; dificuldade ou dor para mastigar ou engolir; rouquidão persistente por mais de 15 dias, associada ou não à falta de ar; nódulos em região de face ou pescoço com crescimento progressivo, dolorosos ou não; lesões de pele em face ou pescoço de piora progressiva.
Gazeta Digital - Quais são os principais fatores de risco para esse tipo de câncer? Além do cigarro e do álcool, quais outros hábitos ou condições podem aumentar o risco?
Médico Erik Bustamante - Tabagismo é o principal fator de risco ao câncer em cabeça e pescoço, em até 98% dos casos. Se o paciente é etilista associado, isto aumenta em até 10 vezes. Trabalhos científicos mostram associação do HPV na causa de câncer de boca e orofaringe, mesmo em pacientes não tabagistas, exposição acentuada ao sol, nos casos de câncer de pele não melanoma.
Gazeta Digital - Quando uma rouquidão, uma ferida na boca ou um caroço no pescoço deixam de ser algo comum e passam a exigir uma avaliação médica?
Médico Erik Bustamante - Principalmente quando há uma piora progressiva, especialmente em pacientes tabagistas, etilistas.
Gazeta Digital - Como o diagnóstico precoce influencia nas chances de cura e na qualidade de vida do paciente? Quais são os tratamentos disponíveis atualmente?
Médico Erik Bustamante - Hoje, quanto mais precoce for o diagnóstico e tratamento, melhor vai ser o prognóstico a longo prazo, visto que lesões menores exigem cirurgias pequenas e, às vezes, sem necessidade de rádio ou quimioterapia associada. Já lesões maiores, as cirurgias serão de grande porte, às vezes mutilantes, isto é, quando possível tratamento cirúrgico, associado à necessidade de tratamento radio/quimioterápico em conjunto.
Gazeta Digital - Que orientações para a população em relação à prevenção e aos cuidados que podem ajudar a reduzir os casos de câncer de cabeça e pescoço?
Médico Erik Bustamante - A orientação principal, em especial aos pacientes tabagistas, é ao primeiro sinal ou sintoma informado acima, procure avaliação especializada com um cirurgião de cabeça e pescoço, que é o especialista em realizar diagnóstico e tratamento adequado a cada caso.
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