CÂNCER DE BOCA E PULMÃO 29.08.2026 | 15h00

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Este 29 de agosto marca o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Especialistas reforçam os riscos do tabagismo e alertam para doenças que podem se desenvolver de forma silenciosa, como os cânceres de pulmão e de boca. Conforme dados do Ministério da Saúde, cerca de 11% da população brasileira se declara fumante.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença está entre os tipos mais comuns no Brasil e apresenta alta taxa de mortalidade, principalmente porque, em muitos casos, o diagnóstico ocorre em estágios mais avançados.
Segundo o médico patologista Carlos Aburad, um dos principais desafios é justamente a ausência de sintomas nas fases iniciais da doença. “Os cânceres em órgãos cavitários, como o pulmão, não são visíveis e, sem sintomas, na maioria das vezes, não levam o paciente a procurar auxílio médico”, explica. No início, os sinais podem ser leves, como tosse, falta de ar e dores no peito. Com o avanço da doença, podem se agravar e incluir piora da dificuldade para respirar, escarro com sangue e perda de peso.
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O tabagismo é considerado o principal fator de risco para o câncer de pulmão. De acordo com o especialista, pessoas que fumam têm 30 vezes mais chances de desenvolver a doença. “O cigarro contém mais de 70 compostos capazes de provocar o câncer. O tabagismo é o grande vilão dessa história e pode estar relacionado a cerca de 80% a 90% dos casos”, afirma.
Mais de 60 anos de cigarro
A dona de casa Sidelcina Rodrigues Moreno conhece de perto as consequências do tabagismo. O marido dela morreu aos 77 anos após ser diagnosticado com câncer de pulmão. A relação dele com o cigarro começou ainda na adolescência. Aos 13 anos, começou a fumar e nunca mais abandonou o hábito.
Foram mais de seis décadas de tabagismo. O diagnóstico veio em julho. Poucos meses depois, em fevereiro do ano seguinte, ele morreu. “Foi tudo muito rápido e doloroso. Nesse curto espaço de tempo, a doença o deixou extremamente debilitado. Ele fez radioterapia e outros tratamentos, mas sofria muito com a falta de ar e a fraqueza”, relata Sidelcina.
Ela conta que acompanhou e cuidou do marido até os últimos dias de vida. “Apesar de ter sido um período curto entre o diagnóstico e a despedida, o sofrimento dele e da nossa família foi imenso e marcou muito a todos nós”.
O cigarro também ameaça a saúde da boca
Os prejuízos causados pelo tabaco não se limitam aos pulmões. O cigarro também é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de boca.
O dentista e patologista bucal Arlindo Aburad, doutor em Patologia Bucal pela USP, explica que alguns sinais devem servir de alerta. “Feridas, bolinhas ou caroços que não cicatrizam em mais de 15 dias, além de lesões vermelhas ou brancas na boca, precisam ser avaliados por um profissional”, orienta.
Segundo o especialista, fumantes têm de seis a 16 vezes mais chances de desenvolver câncer bucal. O risco pode aumentar ainda mais quando o consumo de tabaco é associado ao uso de bebidas alcoólicas. Além do tabagismo, outros fatores, como o HPV, a falta de higiene bucal e uma alimentação pobre em frutas e verduras, também podem contribuir para o desenvolvimento da doença.
O diagnóstico precoce, no entanto, pode fazer diferença no tratamento e na qualidade de vida dos pacientes. “Quando descoberto precocemente, o câncer de boca pode ser tratado com uma cirurgia simples. Em estágios avançados, o tratamento pode envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia, terapia-alvo e imunoterapia”, explica Arlindo.
Nos casos mais graves, a doença e o tratamento podem provocar dificuldades para mastigar e engolir, alterações na fala, boca seca e impactos físicos e emocionais.
Prevenção é o principal caminho
Para os dois especialistas, abandonar o cigarro é uma das medidas mais importantes para reduzir o risco de desenvolver câncer. No caso do câncer de pulmão, Carlos Aburad também destaca a importância de evitar o fumo passivo, reduzir a exposição à poluição e utilizar equipamentos de proteção em atividades profissionais que envolvam agentes de risco.
A atenção aos sintomas e a realização de acompanhamento médico, especialmente entre pessoas com fatores de risco, também são fundamentais. No câncer de boca, a recomendação é observar qualquer alteração persistente e procurar um dentista ou médico para avaliação.
“Os profissionais de saúde precisam divulgar essas informações e conscientizar a população, principalmente sobre a importância do diagnóstico precoce”, destaca Arlindo.
Neste Dia Nacional de Combate ao Fumo, o alerta é reforçado: deixar o cigarro pode representar não apenas uma mudança de hábito, mas uma medida decisiva para prevenir doenças.
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