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20.02.2015 | 10h34

Fundador da facção que arranca vísceras de rivais vai para o castigo

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 Marcos Paulo da Silva é o nome do detento suspeito de fundar, há cerca de dois anos, a facção criminosa Cerol Fino, cuja marca é arrancar as vísceras dos rivais. Conhecido pelo apelido de “Lúcifer”, ele foi transferido, no início da semana, para uma unidade prisional onde ficará internado sob o mais duro regime disciplinar do Estado, o RDD (regime disciplinar diferenciado).

Esta é ao menos a quarta vez que Silva cumpre o chamado “castigo”. No RDD, o preso tem direito a apenas duas horas de banho de sol. O resto do tempo, permanece incomunicável em cela individual.

O suspeito de fundar a Cerol Fino estava, desde o final do ano passado, na Penitenciária 1 de Presidente Venceslau. Na quarta-feira (18), o R7 revelou que, neste mês, dois detentos da unidade foram assassinados, tiveram a região do abdome retalhada e os órgãos retirados, como a facção costuma fazer.

O nome Cerol Fino é uma alusão às linhas de pipa que possuem caco de vidro. Usadas em disputas, cortam como navalha.

A Polícia Civil concluiu que Silva não está diretamente ligado aos dois assassinatos. Os detentos Marciano Ribeiro Araújo e André Ribeiro da Silva, que admitiram pertencer à Cerol Fino, são apontados como os autores dos homicídios dos encarcerados Francinilzo Araújo de Souza, no dia 2, e de Cauê de Almeida, no dia 15, em Presidente Venceslau.

Mas os investigadores ainda apuram se foi o líder da facção que ordenou as mortes.

Considerado pelas autoridades um detento indisciplinado, Silva teria incitado outros presos a praticar homicídios e motins no momento em que deixava a prisão de Venceslau.

Braço cortado - Silva está no sistema prisional desde 1998. De acordo com processo judicial da Comarca de Avaré, em 2004, quando estava detido na Penitenciária 1 da cidade, o suspeito de fundar a facção fez um corte no próprio braço e espalhou sangue pela camisa para fingir-se de morto.

Era uma emboscada. Quando agentes penitenciários abriram a porta da cela para socorrê-lo, Silva deu um pulo e tentou atacar um dos funcionários — supostamente um desafeto seu — com um estilete artesanal fabricado por ele mesmo.

Os agentes conseguiram evitar a agressão e trancaram a cela. Mas um motim teve início em seguida: outros detentos passaram a bater nas portas de suas celas, por considerarem que os agentes estavam negando atendimento médico. Foram ao menos duas horas de quebradeira.

Tatuagem - Alto e magro, Silva teria, segundo autoridades, boa capacidade de liderança entre os presos, a ponto de parte dos integrantes da Cerol Fino ter o apelido dele — “Lúcifer” — tatuado.

Este é o caso, por exemplo, do preso Mércio da Silva Cavalcante, que possui a tatuagem "Lúcifer" no braço. Em setembro passado, ele foi condenado a 32 anos de reclusão por executar e arrancar as vísceras de Anderson de Castro Moraes Borges, em 2013, num dos primeiros crimes atribuídos à Cerol Fino.

Nove presídios - Desde a fundação da facção, seus integrantes já teriam praticado ao menos 13 homicídios, incluindo os dois casos recentes em Presidente Venceslau.

Agentes penitenciários afirmam ter identificado a presença da facção em unidades prisionais de ao menos nove cidades do interior paulista: Andradina, Balbinos, Guareí, Itirapina, Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Serra Azul, Sorocaba e Tupi Paulista.

Advogados - O R7 tentou contato com dois advogados que constam de processos como defensores de Silva. Um deles afirmou que já não representa o detento. Outra não foi localizada.

A reportagem não encontrou os defensores de Marciano Ribeiro Araújo, André Ribeiro da Silva e Mércio da Silva Cavalcante.

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