em adolescentes 02.03.2023 | 08h57
Luiz Leite
As redes sociais já fazem parte da rotina dos adolescentes. As plataformas facilitam o contato e as interações desse público com outras pessoas, porém, pesquisadores descobriram que elas também podem estar ligadas a alterações cerebrais significativas.
A pesquisa, publicada na revista Jama Pediatrics e realizada por cientistas do Winston Center, analisou 169 adolescentes de 12 anos que usavam o Facebook, Instagram e Snapchat.
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Por meio de capturas de tela dos celulares, os pesquisadores encontraram um dado um tanto quanto assustador: os adolescentes atendiam os telefones, em média, cem vezes e passavam 500 minutos, cerca de oito horas, no celular todos os dias.
Eles então observaram que essa verificação exagerada das mídias sociais interferia no neurodesenvolvimento.
Por meio de capturas de tela dos celulares, os pesquisadores encontraram um dado um tanto quanto assustador: os adolescentes atendiam os telefones, em média, cem vezes e passavam 500 minutos, cerca de oito horas, no celular todos os dias.
Eles então observaram que essa verificação exagerada das mídias sociais interferia no neurodesenvolvimento.
Em termos científicos, o estudo constatou que esses adolescentes tiveram um aumento da amígdala esquerda e direita do cérebro (responsáveis por processar as emoções), na ínsula anterior direita (ligada à percepção afetiva de empatia com o próximo), no corpo estriado ventral (envolvido na regulação do comportamento emocional) e no córtex pré-frontal dorsolateral esquerdo (entre suas funções estão regulação e controle cognitivo e emocional, controle da atenção e planejamento temporal).
Isso significa, de forma prática, que essa parcela da população está ficando, por exemplo, menos sensível às interações sociais (mais solitária e menos conectada com seus colegas). A checagem habitual das mídias sociais está mudando a maneira como o cérebro do adolescente responde ao ambiente.
A fase da adolescência é o momento em que o cérebro passa por uma reorganização estrutural e funcional. Isso torna a pessoa mais hiperativa e preocupada com a validação social, especialmente de amigos, e as redes sociais podem estar intensificando essa situação — o que explicaria o uso contínuo.
Além disso, a relevância dada às plataformas pode prejudicar a criação de um controle cognitivo e, consequentemente, as condições para regular seus comportamentos e emoções.
A exposição à interatividade dessas mídias também acaba reduzindo a capacidade desse público de resistir aos impulsos e aumenta a resposta neural a situações que estejam relacionadas ao ganho de recompensas, como as curtidas e notificações. Essa relação aumenta a dependência das redes.
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