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DEU EM A GAZETA 26.03.2026 | 06h47

45,7% das meninas admitem ter vontade de se automutilar

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Otmar de Oliveira

Otmar de Oliveira

A saúde mental dos adolescentes de Mato Grosso preocupa especialistas, em um cenário em que 45,7% das meninas, com idades entre 13 e 17 anos, admitem ter vontade de se automutilar. Os dados foram coletados através de entrevistas com alunos de todo o Brasil, em 2024, pela Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) e foram divulgados nesta quartafeira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Werley Peres, médico da família pós-graduado em psiquiatria, explica que a sociedade está vivendo a “quarta onda” de doenças mentais pós -pandemia.

 

Ele explica que o aumento de casos de depressão e ansiedade entre crianças e adolescentes é resultado de um conjunto complexo de fatores, como bullying, excesso de exposição a telas, contexto familiar e até sedentarismo. “Normalmente, as automutilações não são para tirar a própria vida. É uma forma de aliviar a dor que ela está sentindo, ou desespero, e é muito comum em crianças e adolescentes em sofrimento. Elas batem a cabeça na parede, dão murro na parede e existem outras formas delas se autoinfligir”.

 

Do total de alunos de Mato Grosso, 34,1% admitiram a vontade de autolesão, números que estão acima da média nacional, que é de 32%. Entre os meninos, o índice é de23,3% e, entre as meninas, 45,7%. Os dados do PeNSE ainda destacam que 21,5% dos estudantes sentem que a vida não vale a pena ser vivida. Entre as meninas, o número é maior, com 29,2% e 14,5% entre os meninos. Entre os adolescentes, 25,9% assumem sentir que ninguém se preocupa com eles. Mais uma vez, as meninas se destacam com 33,9%.

 

Werley Peres explica que em 2020 e 2021, auge da infecção pelo coronavírus, muitos dos adolescentes de hoje eram crianças com idades entre 7 e 10 anos e também adoeceram mentalmente com o isolamento.

 

“São as sequelas do isolamento social, as perdas que aconteceram nas famílias na época, a gente não pode ignorar esse dado. Quantas crianças desenvolveram ansiedade naquele período? Quantas ganharam peso? Ficaram agitadas? Quantas conseguiram tratamento? Levando em consideração que 80% da população só tem o SUS (Sistema Único de Saúde), como é a estrutura de saúde mental do adulto? Imagina a da criança. Então, são fatores que a gente não pode olhar de forma superficial. Tem que aprofundar, porque isso não começou agora”.

 

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