Meio ambiente em chamas 31.08.2019 | 19h44
João Vieira
Se as queimadas e incêndios florestais continuarem a crescer com a atual intensidade em Mato Grosso, a estimativa é de que 2019 seja o ano mais crítico desde 2010, quando houveram 46 mil focos de calor.
Dados repassados pelo Instituto Centro de Vida (ICV) demonstram que em Mato Grosso houve um aumento significativo no número de incêndios neste ano, se comparado aos dados do ano passado.
De janeiro a ao dia 30 de agosto de 2019, houveram mais de 16 mil focos de calor, o que corresponde a 87% a mais do que mesmo período de 2018. Se o período de proibição de queimadas, que teve início em julho, for levado em consideração, o aumento é de 205%.
O coordenador de geoprocessamento do ICV, Vinícius Silgueiro, explicou que a estimativa é que os dados tenham aumentado consideravelmente desde a última análise. As informações são coletadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que está congestionado desde o dia 19.
"A gente sabe que já passam de 14 mil focos e já está aumentando ainda mais esse percentual, em comparativo com o ano passado. […] Praticamente mais da metade já tinha acontecido desde o período proibitivo, um total de 6 mil focos. Desse total com certeza é criminoso", afirmou o especialista.
Os incêndios criminosos foram constatados, principalmente, em imóveis rurais. Desde janeiro, 60% dos focos de calor foram registrados em áreas privadas, enquanto outros 16% foram em terras indígenas e outros 1% em unidades de conservação.
Por isso, a avaliação do ICV é de que as queimadas tenham o propósito de limpar as áreas para a atividade pecuária. O fogo teria o intuito de eliminar pragas e espécies invasoras e, ainda, criar espaços para pastagem.
Um fato que corrobora as informações repassadas pelo instituto é que Colniza (1.065 km a noroeste de Cuiabá) está entre as 10 cidades do Brasil com mais registros de queimadas em agosto, segundo dados do Inpe.
Ao todo, foram registrados 1,2 mil focos de calor. A cidade que figura em 1º lugar é Altamira, no Pará, com 2,3 mil focos. Seguida por Porto Velho, em Rondônia, São Félix do Xingu, em Pará, Lábrea, em Amazonas, Novo Progresso, em Pará, e Apuí, em Amazonas.
"É o município que também lidera o desmatamento. Então essa relação da queimada é para fazer a limpeza de áreas. Isso acontece não só em Colniza, mas em Aripuanã, Apiacás, Nova Bandeirantes. São todos os municípios que ficam na região amazônica. Lá não tem como a gente falar de causa natural, como no Cerrado, que é mais comum", explicou Silgueiro.
Informações oficiais
Informações repassadas pelo governo do Estado apontam que as queimadas e incêndios estão controlados. Conforme afirmou o governador Mauro Mendes (DEM) em entrevista na segunda-feira (26), não existe nenhum incêndio de grandes proporções no estado no momento.
"Temos uma radiografia feita ontem (25), pelo Corpo de Bombeiros que a nossa situação está controlada e existe uma atuação muito forte da corporação, mas, principalmente, em parceira com produtores rurais que sabem o quanto esse problema ambiental das queimadas em nosso Estado e no Brasil é relevante. Por isso, muita gente está ajudando e colaborando nesse sentido", destacou.
Contudo, os dados do Instituto Centro de Vida confrontam essas informações ao dizer que a estimativa é de que as queimadas e incêndios florestais tendem a aumentar ainda mais no decorrer dos meses.
"Ações de combate ainda são necessárias e a atuação de fiscalização é fundamental. A gente ainda está no período proibitivo e toda queimada que acontece agora é criminosa, ilegal. Nessa dificuldade de diálogo e entendimento com o Governo Federal, o Governo Estadual tem papel importante a desempenhar na luta contra o desmatamento e construir um ambiente de soluções", finalizou Silgueiro.
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